Natal vira cenário de violência e Prefeitura finge não ver

A abertura oficial do Natal em Campo Grande deveria simbolizar união, acolhimento e espírito comunitário, mas a gestão Adriane Lopes conseguiu transformar o evento em palco de repressão e omissão. A versão da Prefeitura tenta pintar os manifestantes como um grupo descontrolado que precisou ser contido pela Guarda Civil Metropolitana, mas convenientemente esquece detalhes incômodos, como a agressão registrada contra uma mãe atípica, empurrada ao chão e machucada em plena Rua 14 de Julho. A cena, registrada em vídeo e divulgada nas redes sociais, mostra que a violência não nasceu do protesto, mas da truculência autorizada.

A Prefeitura tenta disfarçar o óbvio, alegando que o grupo pretendia interromper as atividades natalinas e se recusou a se afastar. O que a gestão não consegue explicar é por que um ato pacífico formado por mães atípicas, idosos, servidores públicos e pessoas comuns terminou com empurrões, gritaria e detidos. Quando o Estado precisa usar força física para conter cartazes e reivindicações básicas, fica difícil chamar isso de proteção ao público.

A gestão apela para o argumento de sempre, destacando que um dos homens detidos tinha passagens policiais e portava um canivete, como se isso justificasse a violência registrada contra mulheres que protestavam por direitos essenciais. O problema é que a agressão sofrida por Elizângela, mãe atípica, não cabe em nenhuma nota explicativa e não desaparece porque a Prefeitura decidiu ignorá-la no texto oficial.

Vereadores reagiram à postura da administração com indignação. Marquinhos Trad questionou como pode ser chamado de “controle” o ato de agredir manifestantes desarmados, enquanto Luiza Ribeiro lembrou que a prefeita teve todas as oportunidades de dialogar, ouvir, acolher e orientar, mas preferiu autorizar a Guarda a agir com força. A pergunta é inevitável. Afinal, quem ameaça mais a ordem pública, mães pedindo fraldas para seus filhos ou uma gestão que responde demanda social com cotoveladas?

A Comissão de Mães Atípicas de Mato Grosso do Sul divulgou nota contundente, repudiando as agressões e reforçando que as reivindicações tratam de direitos humanos elementares. Falta de fraldas, leite, dieta, insumos básicos e descumprimento de liminares judiciais não são frescura, são negligências que ferem a dignidade das crianças que dependem do município. A resposta que elas receberam foi empurrão e truculência.

O episódio evidencia o abismo entre o discurso e a prática cotidiana da gestão. Enquanto a Prefeitura insiste que a GCM atuou para proteger famílias e garantir normalidade, as imagens deixam claro que normalidade é o que Campo Grande menos tem. O Natal iluminado e festivo da propaganda se apaga diante da cena de uma mãe sendo derrubada por agentes públicos.

Ao ignorar a violência sofrida por Elizângela, a administração parece mais preocupada em salvar a própria imagem do que em proteger sua população. O discurso é polido, calculado e seletivo, mas não resiste à realidade gravada e

compartilhada por quem estava no local. A tentativa de transformar vítimas em culpados não convence nem quem assiste de longe.

É sintomático que, diante de um ato pacífico tão simples, a Prefeitura escolha a força como resposta. A cidade que deveria celebrar o espírito natalino teve de assistir à prefeitura celebrando o espírito autoritário. O público que precisava ser protegido deixou o evento com medo e indignação.

Mais uma vez, a gestão Adriane Lopes oferece violência onde deveria existir diálogo, omissão onde deveria haver proteção e justificativas frias onde deveria existir humanidade.

Compartilhe
Notícias Relacionadas
© 2024 O Consumidor News
Desenvolvido por André Garcia - www.conffi.com.br