
A mensagem natalina do Progressistas veiculada nas emissoras de televisão de Mato Grosso do Sul chamou atenção não pelo que mostrou, mas pelo que fez questão de esconder. Em um período em que partidos costumam exibir união, harmonia e seus principais quadros políticos, a ausência da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, falou mais alto do que qualquer discurso de fim de ano.
Até pouco tempo atrás, Adriane era apresentada como vitrine do partido na Capital, integrante da tríade formada ao lado do governador Eduardo Riedel e da senadora Tereza Cristina. Agora, simplesmente desapareceu da peça publicitária, como se nunca tivesse ocupado o cargo mais importante do maior colégio eleitoral do Estado. Coincidência, em política, costuma ser apenas um detalhe mal contado.
O constrangimento tem explicação. Vincular a imagem partidária à atual gestão de Campo Grande virou um risco alto demais até para aliados históricos. Com índices de rejeição recordes, histórico de greves, colapso na saúde, caos no transporte coletivo e uma sucessão de crises administrativas, Adriane Lopes se tornou um peso político difícil de sustentar em rede estadual.
Não é exagero dizer que o partido tem motivos de sobra para manter distância. A prefeita carrega, sem sombra de dúvida, a pior gestão que Campo Grande já viu, superando administrações problemáticas do passado e transformando a Capital em referência negativa nacional. Nesse cenário, esconder virou estratégia, não descuido.
A exclusão da prefeita da mensagem natalina funciona como uma espécie de nota pública silenciosa. O Progressistas parece ter entendido que associar sua marca a uma administração rejeitada por ampla maioria da população não rende votos, não agrega prestígio e ainda ameaça contaminar projetos eleitorais futuros.
O mais irônico é que a ausência ocorre justamente em um momento simbólico, quando se costuma falar em união, esperança e renovação. Para Adriane, o Natal partidário veio sem convite, sem espaço na tela e sem direito sequer a uma aparição protocolar.
Se antes era tratada como motivo de orgulho, hoje a prefeita virou um problema de imagem a ser administrado nos bastidores. A decisão de escondê-la revela mais sobre a avaliação interna do partido do que qualquer discurso público de apoio ou fidelidade.
No fim, a mensagem natalina do Progressistas acabou entregando um recado claro, ainda que não verbalizado. Quando até o próprio partido evita associar sua imagem à prefeita, fica evidente o tamanho do desgaste de uma gestão que conseguiu a proeza de se tornar indigesta até para quem ajudou a colocá-la no poder.