MPMS ignora turbulência em licitação e contrata empresa por R$ 6 milhões

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul parece estar empenhado em montar o maior e mais tecnológico data center do hemisfério sul. Após uma avalanche de questionamentos e uma prorrogação estratégica da abertura de propostas, o MPMS fechou um novo contrato milionário: R$ 6.036.856,00 para a empresa Click TI Tecnologia Ltda cuidar da nova empreitada tecnológica da instituição.

O contrato prevê um pacote completo de equipamentos e softwares, com direito a servidores, switches, fitas para backup e sistemas de virtualização, além de instalação, migração, capacitação e cinco anos de suporte técnico. Um verdadeiro luxo digital que levanta uma pergunta incômoda: o que há de tão urgente e extraordinário para justificar tanto investimento, em tão pouco tempo?

Chamou atenção o fato de que o processo licitatório, inicialmente orçado em R$ 12,5 milhões, recebeu nada menos que dez pedidos de esclarecimento de empresas participantes. Tanta dúvida foi levada a sério, ao ponto do MPMS adiar a sessão que abriria os envelopes com as propostas. A justificativa oficial? “Zelo institucional”. Pois sim.

Com a poeira assentada e os envelopes abertos, a Click TI levou a melhor: ofereceu o serviço por quase metade do valor estimado inicialmente, e ainda R$ 2,1 milhões mais barato do que a segunda colocada. Um verdadeiro “milagre licitatório”, para os mais crédulos. Para os mais atentos, o típico enredo em que o barato pode sair caro ou, no mínimo, nebuloso.

O detalhe que torna tudo ainda mais saboroso é que, três dias antes, o mesmo MPMS já havia contratado outra empresa, a Compwire Informática Ltda, por R$ 2.686.342,48 para fornecer outro pacote de equipamentos para data center. Coincidência? Planejamento? Redundância? Fica a dúvida e a fatura.

Ambos os contratos foram assinados com recursos do Fundo Especial de Apoio e Desenvolvimento do Ministério Público, que, pelo visto, anda muito bem abastecido. Aparentemente, não faltam recursos, apenas transparência sobre como, por que e com que urgência esses milhões estão sendo liberados.

O cidadão comum, que enfrenta filas no SUS, buracos nas ruas e escolas sucateadas, certamente gostaria de tamanha agilidade e dedicação na solução de problemas básicos. Mas quando se trata de garantir uma nuvem tecnológica bem refrigerada, o MPMS parece não medir esforços.

Enquanto isso, seguimos acompanhando o espetáculo tecnológico. Afinal, o que é mais um contrato milionário diante de tantos dados a serem protegidos, ou escondidos?

Com tantos zeros nos valores e tão poucas respostas objetivas, resta ao contribuinte torcer para que pelo menos o backup desse investimento não falhe. Porque a conta, essa, já está no nosso colo.

Compartilhe
Notícias Relacionadas
© 2024 O Consumidor News
Desenvolvido por André Garcia - www.conffi.com.br