Ministério Público ostenta com luxo sobre quatro rodas

Se tem uma coisa que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul não pode reclamar é da falta de bons carros para rodar por aí. Afinal, a instituição acaba de abrir licitação para alugar 24 veículos por nada modestos R$ 1.114.447,20. Isso sem contar a recente abertura de outra licitação para a compra de SUVs e sedans, incluindo alguns blindados, que custarão R$ 4,8 milhões ao contribuinte. Austeridade? Desconhecem.

Publicada no diário oficial, a licitação prevê a locação de 12 hatchs e 12 sedans, que, segundo os valores previstos no edital, custarão R$ 390 mil e R$ 724,3 mil, respectivamente. Tudo isso por um contrato de apenas um ano. Alguém avisa que os salários pagos ao funcionalismo já permitem a compra de um carrinho particular?

Mas não para por aí. A Procuradoria-Geral de Justiça, que evidentemente precisa de veículos à altura de sua grandiosidade, também abriu licitação para adquirir novos carrões. E não estamos falando de qualquer um. Entre as exigências estão 10 sedans híbridos automáticos (R$ 155 mil cada), 4 SUVs 1.0 turbo (R$ 348,5 mil cada) e 4 SUVs blindados 3.0 turbo de 180cv (R$ 468 mil cada). Para que blindados? Estão enfrentando uma guerra?

O Ministério Público, órgão que deveria zelar pelo bom uso do dinheiro público, parece estar mais preocupado com o conforto e segurança de seus integrantes do que com a realidade da população. Num Estado onde a saúde pública e a segurança sãograndes desafios, o MPMS segue firme na sua cruzada por máquinas potentes e blindadas.

A ironia disso tudo é que a própria instituição frequentemente questiona gastos de outros órgãos e denuncia desvios de verbas. Mas, quando se trata de seu próprio conforto, a história muda. A justificativa, claro, deve ser a necessidade de “melhor atender às demandas do órgão”. E quem se atreveria a duvidar disso?

Enquanto isso, a população continua encarando lotação nos postos de saúde, buracos nas ruas e a insegurança de quem não pode se dar ao luxo de um SUV blindado. O recado do MPMS é claro: há prioridades e prioridades. E o conforto de seus integrantes é uma delas.

Será que, com tanto luxo, os promotores e procuradores vão encontrar tempo para fiscalizar a própria gastança? Ou seria pedir demais que aplicassem neles mesmos o rigor que cobram de todos os outros?

A verdade é que, enquanto a conta for paga pelo contribuinte, o MPMS seguirá rodando por aí com o que há de melhor sobre quatro rodas. Se você, cidadão comum, quer um carro desses, junte dinheiro ou faça um financiamento. Se for do MP, é só esperar a próxima licitação.

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