
A prefeita Adriane Lopes voltou a apertar o gatilho da famosa metralhadora de promessas, aquela responsável por transformar Campo Grande em peça de humor, refrão de música sertaneja e coleção de memes. Agora, com reprovação de 85%, ela apresenta um “pacote de obras” de R$ 544 milhões que nasce sem projeto, sem fonte definida e sem qualquer ligação com a realidade fiscal do município. A matemática executada no anúncio lembra mais cálculo de guardanapo do que planejamento público.
O discurso do autofinanciamento soa bonito para plateia que desconhece o histórico da gestão, mas a cidade conhece bem as tentativas anteriores de Adriane de ajustar a máquina. Em 2022, as exonerações em massa surpreenderam servidores, muitos mandados embora por suposta austeridade, enquanto o gasto com pessoal permanecia acima do limite prudencial da Receita Corrente Líquida. A promessa de equilíbrio nunca chegou e o rombo continuou firme, imune aos decretos.
Adriane fala em economizar R$ 41 milhões por mês para alcançar os R$ 544 milhões anunciados. Seria lindo se fosse possível apenas cortando gratificações e custeio, mas a experiência histórica mostra que essas torneiras nunca fecharam totalmente. Nem em 2013, nem em 2017, nem em 2023.
O cenário projeta um dezembro tenso para servidores e beneficiários do programa social já atingidos por centenas de dispensas. Com salários achatados e muita gente atolada em consignados, a equação é simples quanto menos renda, menos consumo, menos movimento no comércio e mais instabilidade social. A cidade inteira paga a conta da gestão trôpega.
Enquanto isso, a prefeita segue criando anúncios embalados em entusiasmo artificial. O pacote de obras seria destinado a 33 bairros, mas nenhum projeto foi detalhado, nenhuma licitação mencionada, nenhuma fonte de recurso apresentada. A Capital, que já caminha em ritmo de tartaruga, agora precisa acreditar que meio bilhão surgirá como milagre administrativo.
A estratégia não é nova. Políticos com popularidade derretendo tentam se salvar com promessas de investimentos milionários. É o truque mais antigo do manual eleitoral. E Adriane parece repetir o roteiro de Gilmar Olarte, que também nasceu do mesmo berço político e terminou o mandato com tornozeleira e condenação por corrupção e lavagem de dinheiro. Um paralelo incômodo que os números recentes insistem em reforçar.
O levantamento do Instituto Ranking Brasil mostra que 66% da população considera a gestão ruim ou péssima, enquanto apenas 9% a classificam como boa. É o tipo de aprovação que nem pacote de bilhões, nem propaganda reluzente conseguem salvar. A cidade já percebeu que o governo vive de anúncios, não de entregas.