Maior greve de ônibus da história de Campo Grande desafia decisão judicial e chega ao 3º dia

Firmes no propósito: Sem receber a totalidade do salário de novembro do Consórcio, sem a certeza do vale e do 13º no dia 20/12, motoristas de ônibus da Capital seguem de braços cruzados, sem obedecer ordem judicial de voltarem ao trabalho.

A greve dos motoristas do transporte coletivo de Campo Grande entrou no terceiro dia nesta quarta-feira (17/12) e já é considerada a maior paralisação da história da Capital.

Mesmo após determinação da Justiça para retomada parcial do serviço, a categoria decidiu manter 100% da frota parada, ampliando os impactos sobre a população e a economia local.

Ontem em Audiência de Conciliação no TRT, sem solução.

O que decidiu a Justiça

Em audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT-24), a Justiça determinou o retorno escalonado do transporte coletivo, com circulação parcial da frota a partir das 6h. Diante do descumprimento, a multa aplicada ao sindicato foi elevada para R$ 200 mil por dia. A decisão judicial considerou essencial a manutenção mínima do serviço por se tratar de atividade essencial.

Por que os motoristas entraram em greve

Os motoristas paralisaram as atividades em protesto contra salários atrasados e a falta de garantias de pagamento por parte do Consórcio Guaicurus. Segundo o sindicato, os trabalhadores aguardam o recebimento de valores pendentes, incluindo parte (50%) do salário de novembro, o que motivou a deflagração do movimento.

Decisão dos motoristas: greve mantida

Em assembleia realizada na escadaria do TRT-24, logo após a audiência, a categoria rejeitou a proposta de retorno parcial. O presidente do sindicato, Demétrio Freitas, chegou a sugerir o retorno de 40% do efetivo como forma de cumprir parcialmente a decisão judicial, mas a proposta foi derrotada. Por maioria, os trabalhadores decidiram manter a paralisação total.

Após a assembleia, Demétrio afirmou que a decisão foi coletiva e que os motoristas só retornarão ao trabalho após o pagamento dos valores devidos. “Mesmo com a multa de R$ 200 mil e outras penalidades que podem vir, os trabalhadores optaram por continuar parados enquanto não receberem”, declarou.

“Vamos usar os meios legais para tratar dessa penalidade, mas a paralisação segue” (Demétrio).

Posição dos motoristas diante da ordem judicial

Mesmo cientes das sanções impostas pela Justiça, os motoristas afirmam que a greve continuará. O sindicato informou que ainda discutirá internamente como lidar com a multa aplicada. “Vamos usar os meios legais para tratar dessa penalidade, mas a paralisação segue”, disse Demétrio.

O que diz o Consórcio Guaicurus

O presidente do Consórcio Guaicurus, Themis Oliveira, afirmou que as negociações continuam, mas ressaltou que a decisão de manter a greve é exclusiva dos motoristas. “É uma decisão deles, eu não posso intervir”, afirmou. Segundo ele, ainda restam mais de R$ 1,3 milhão a serem pagos, referentes a 50% do salário de novembro.

Themis disse ainda que o consórcio busca receber valores pendentes para, então, negociar o pagamento aos trabalhadores. “A palavra de ordem é conversar e negociar o tempo inteiro para encontrar uma solução”, afirmou.

Prefeita Adriane Lopes apresenta documentos que pagou o Consórcio.
Comprovante apresentando pelo Município até 12/12.

Posição da Prefeitura de Campo Grande

A Prefeitura de Campo Grande informou que está em dia com os repasses ao Consórcio Guaicurus e apresentou recibos de pagamento para comprovar que não há atrasos por parte do município. A administração municipal sustenta que a responsabilidade pelos pagamentos aos motoristas é do consórcio e defende a retomada imediata do serviço.

Impacto econômico

O prolongamento da paralisação tem causado prejuízos significativos ao comércio. O presidente da CDL Campo Grande, afirmou que o setor registra perdas estimadas em R$ 10 milhões por dia, especialmente neste período de maior movimento por conta das vendas de fim de ano.

Com a manutenção da greve e o impasse entre trabalhadores, consórcio e poder público, Campo Grande segue sem transporte coletivo pelo terceiro dia consecutivo, em um cenário que já supera paralisações históricas registradas na Capital.

Compartilhe
Notícias Relacionadas
© 2024 O Consumidor News
Desenvolvido por André Garcia - www.conffi.com.br