IPTU explode no bolso e desmente discurso da prefeita Adriane

Screenshot

O carnê do IPTU de 2026 chegou como um susto digno de pronto-socorro para milhares de contribuintes de Campo Grande. Enquanto a prefeita Adriane Lopes jurava que o reajuste seria de apenas 5,32%, limitado à reposição inflacionária, moradores passaram a relatar aumentos que variam de 20% a escandalosos 396%, um contraste que transforma o discurso em peça de ficção tributária.

O decreto com a correção de 5,32% foi publicado em 29 de outubro e, pela legislação, dispensa aval da Câmara quando restrito à inflação. O problema é que os números impressos nos carnês contam outra história. Na prática, a cobrança ultrapassa com folga o índice anunciado, enquanto servidores municipais seguem há três anos sem reajuste salarial linear, o que torna o discurso de responsabilidade fiscal ainda mais indigesto.

O chamado presente de Natal do IPTU veio em dose dupla. Além do tarifaço, a prefeitura reduziu o desconto para pagamento à vista de 20% para 10%, penalizando quem tenta se organizar para quitar o tributo no início do ano. O resultado é simples: mais dinheiro saindo do bolso do contribuinte e menos alívio em uma cidade que não entrega serviços à altura do que cobra.

Casos concretos ajudam a ilustrar o descompasso. Um apartamento de 50 metros quadrados no Jardim Tijuca, em rua de terra e sem qualquer benfeitoria, teve reajuste de 22,65%, saltando de R$ 419,43 para R$ 514,46. No Aero Rancho, um imóvel de 75 metros quadrados subiu 20,89%. Já um apartamento de 90 metros quadrados em frente ao Parque do Soter registrou aumento de 24,5%, passando de R$ 4,2 mil para R$ 5.229.

Há situações ainda mais gritantes. Na região do Jardim Pênfigo, na saída para Sidrolândia, um imóvel teve reajuste de 396%, indo de R$ 311,72 para R$ 1.547,14. No Jardim Veraneio, na saída para Cuiabá, contribuintes relatam altas de 46%, 173% e até 97%, números que desmontam qualquer tentativa de sustentar a narrativa do reajuste “apenas inflacionário”.

Pela lei, qualquer correção da planta de valores que resulte em aumento acima da inflação deveria passar pela Câmara Municipal. Isso não ocorreu. Ou a prefeita ignorou o rito legal, ou os vereadores assistiram passivamente ao aumento abusivo, o que é pouco provável.

O reajuste chega em uma cidade marcada por buracos, obras paradas, falta de médicos e medicamentos, colapso na Santa Casa e denúncias envolvendo contratos públicos. Cobrar mais em um cenário de serviços precários transforma o IPTU em símbolo de uma gestão que exige muito e entrega pouco.

Diante da repercussão negativa, a prefeitura prometeu revisar carnês com reajustes acima do previsto. Resta saber se a revisão será ampla ou apenas um gesto pontual para conter a indignação. Até lá, o contribuinte segue com a sensação de ter sido surpreendido por um imposto que, na teoria, cresceu 5,32%, mas na prática decidiu testar os limites da paciência da população.

Compartilhe
Notícias Relacionadas
© 2024 O Consumidor News
Desenvolvido por André Garcia - www.conffi.com.br