Inadimplência exige mais que limpeza de nome, afirma Câmara de Dirigentes Lojistas

O cenário econômico em Campo Grande atingiu um ponto de saturação que acende alerta no setor varejista, conforme a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas). Assim, a câmara aponta que, enquanto o governo federal articula o lançamento do Desenrola 2.0, os números locais revelam a reincidência de pessoas que não conseguem pagar suas contas.

Além disso, a CDL destaca a existência de um ciclo vicioso onde oito em cada dez consumidores que limparam o nome recentemente voltaram ao cadastro de inadimplentes em menos de um ano. Segundo a entidade, a pressão sobre o orçamento das famílias, somada ao custo de vida crescente, criou o que o mercado chama de ‘efeito porta giratória’: nele, o consumidor resolve o passado, mas não consegue sustentar o presente diante de um sistema que oferece crédito fácil, mas cobra juros impagáveis.

Outro ponto abordado pela câmara é o estímulo ao uso do FGTS como garantia ou pagamento. Para a CDL Campo Grande, essa medida deve ser vista com extrema cautela, já que fundo de garantia é o recurso que garante o sustento em caso de desemprego. Queimar esse patrimônio para quitar dívidas de consumo, sem uma mudança estrutural, seria ‘deixar a família vulnerável no futuro por um alívio momentâneo no presente’.

omado a isso, o avanço das apostas esportivas e cassinos online, as chamadas “bets”, é dito como um ralo financeiro para a entidade. ‘O dinheiro que deveria garantir o arroz e o feijão nos supermercados da cidade está sendo transferido para plataformas digitais. O impacto é humano e cruel: famílias estão trocando o alimento na mesa pela ilusão do ganho fácil, alimentando ainda mais a inadimplência e a reincidência’, afirma a câmara.

O que diz o presidente da CDL?

Para Adelaido Figueiredo, presidente da CDL Campo Grande, o momento exige coragem para encarar a realidade que o varejo enfrenta nas ruas.

“Estamos vivendo uma ilusão perigosa. O Desenrola limpa o nome, mas o mercado oferece logo em seguida um crédito fácil com juros que são verdadeiras armadilhas. Pior ainda: incentiva o trabalhador a gastar o FGTS, que é sua única reserva real. Em Campo Grande, vemos o dinheiro que deveria estar na feira ou guardado para uma emergência escorrer pelo ralo das bets. Não existe milagre: se o juro continuar nesse patamar e a aposta continuar tirando o leite das crianças, teremos apenas um exército de reincidentes. O pai de família precisa de dignidade e prato cheio, não de limite em cartão que ele não pode pagar. O bloqueio das ferramentas de apostas é uma questão de sobrevivência e de proteção ao alimento das nossas famílias.”

Além disso, o presidente ainda faz alertas tanto ao consumidor quanto ao empresário. Para o consumidor, Figueiredo orienta cuidado ao comprometer seu FGTS, já que ele é seu seguro, não uma renda extra. ‘Evite o “crédito imediato” que o juro alto transforma em bola de neve. Priorize o essencial: a comida e a estabilidade da sua casa vêm antes de qualquer aposta ou consumo supérfluo’.

Ao empresário, ele afirma que facilitar o crédito para quem já está no limite ou viciado em apostas não é vender, é criar um prejuízo futuro para o seu negócio e um problema social para a cidade. ‘O lojista precisa de clientes saudáveis. Oferecer crédito de forma irresponsável destrói a economia local e a confiança do consumidor’.

Ciclo da Dívida

Conforme a CDL, o gráfico da inadimplência na Capital mostra que o maior gargalo está no setor financeiro. “Limpar o nome é só o começo. O desafio real é não deixar que o juro alto, o uso indevido do FGTS e o vício em apostas roubem o que vai no prato de cada família em Campo Grande”, finaliza Adelaido Figueiredo.

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