
A saúde de Campo Grande mergulha em um caos cada vez mais profundo
enquanto a Secretaria Municipal de Saúde segue acéfala e governada por um
comitê improvisado. A ausência de comando se reflete em cada esquina da
rede pública e a população paga a conta de uma gestão que parece não ter
limites para o amadorismo.
Na Santa Casa, maior hospital do Centro Oeste e referência em alta
complexidade, os médicos decretaram greve por tempo indeterminado.
Consultas ambulatoriais e cirurgias eletivas foram suspensas e apenas
urgência e emergência seguem em funcionamento. A justificativa é simples e
brutal. Falta de pagamento.
O déficit mensal do hospital é de R$ 13 milhões e a prefeitura ainda briga na
Justiça para não repassar R$ 46 milhões que deve à instituição. Enquanto isso,
pacientes esperam por atendimento que não chega e famílias assistem ao
colapso sem qualquer resposta do Executivo municipal.
O presidente do Sindicato dos Médicos confirmou que apenas os contratados
em regime de CLT receberam seus salários. Os que atuam como pessoa
jurídica continuam sem ver a cor do dinheiro. Um cenário que alimenta a
paralisação e amplia a crise.
Nas unidades de pronto atendimento os problemas não são menores. Na UPA
do Universitário, a falta de energia provocada pelo roubo de fios paralisou o
atendimento. O conserto só ocorreu após a pressão direta de um vereador que
precisou intervir no meio da confusão para que a prefeita se mexesse.
No Centro Regional de Saúde do Tiradentes a situação foi ainda mais
vergonhosa. A unidade ficou dias sem água, comprometendo a higiene mínima
de pacientes e funcionários. Não havia como tomar banho, usar banheiro ou
sequer manter condições adequadas para atendimento. Foi necessária a
denúncia da vereadora Luiza Ribeiro para que a precariedade viesse à tona.
A parlamentar classificou como inaceitável a falta de água em uma unidade de
saúde. Lembrou que a população não pode pagar o preço da desorganização
da prefeitura e destacou que pacientes internados foram submetidos a
condições desumanas. O que deveria ser espaço de cuidado virou sinônimo de
abandono.
A prefeita Adriane Lopes tenta justificar sua inoperância com a criação de um
comitê que promete funcionar por seis meses. Na prática é apenas um disfarce
para a ausência de liderança. O cargo de secretário de saúde virou cadeira
vazia e a população continua sem rumo.
A cada semana um novo episódio reforça a face trágica do improviso. Greve de
médicos, falta de energia em unidades básicas, falta de água em centros
regionais e um hospital de referência à beira do colapso. O quadro é
devastador e revela que não há plano de gestão.
Em Campo Grande a saúde deixou de ser política pública para virar laboratório
de desmandos. O improviso virou regra. O descaso virou método. E a
população é quem continua pagando com dor, humilhação e risco de morte
pelo espetáculo trágico que se tornou a administração de Adriane Lopes.