
A crise no transporte coletivo de Campo Grande ganhou mais um capítulo constrangedor, desta vez com a prefeita Adriane Lopes tentando empurrar para o Governo do Estado a responsabilidade por um problema que é, antes de tudo, municipal. Em vez de assumir falhas, dialogar com trabalhadores e apresentar soluções, a prefeita escolheu atacar a gestão de Eduardo Riedel e criar uma cortina de fumaça para disfarçar a própria incapacidade administrativa.
Mesmo aliada política do governador e filiada ao mesmo partido, Adriane acusou a Secretaria Estadual de Educação de um suposto calote de R$ 4,8 milhões ao Consórcio Guaicurus, numa tentativa evidente de dividir o desgaste de uma greve que já entra no quarto dia e deixa mais de 100 mil pessoas sem ônibus. A estratégia é velha conhecida, quando a crise aperta, transfere-se a culpa.
Em entrevista coletiva, a prefeita garantiu que a prefeitura está rigorosamente em dia com os repasses, classificou a greve como abusiva e atacou trabalhadores que estão sem o salário de novembro, sem vale e sem décimo terceiro. O discurso, além de insensível, ignora a realidade e reforça a postura de quem prefere apontar culpados a reconhecer erros.
O problema é que, horas depois, a própria prefeita tentou envolver o Governo do Estado ao divulgar documentos e alimentar narrativas nas redes sociais acusando a gestão Riedel de não repassar valores referentes ao passe estudantil. A tentativa de arrastar o Estado para o epicentro da crise foi explícita e calculada.
O Governo do Estado respondeu de forma técnica, clara e objetiva. A Secretaria Estadual de Educação informou que não possui qualquer relação contratual com o Consórcio Guaicurus e que o subsídio ao passe do estudante é fruto de convênio voluntário, não de obrigação legal. Ou seja, não existe calote onde não há dever jurídico de pagamento.
Mais do que isso, os fatos desmontam a versão da prefeita. Em julho, Eduardo Riedel e Adriane Lopes assinaram um plano de trabalho que garantiu à Capital R$ 13,4 milhões para auxiliar no transporte coletivo. Dois repasses de R$ 3,367 milhões já foram pagos integralmente, em julho e agosto, conforme o acordo firmado entre as partes.
Os outros dois repasses, também no mesmo valor, estão previstos para janeiro e fevereiro de 2026, exatamente como pactuado. Não houve atraso, descumprimento ou improviso por parte do Estado. Houve, sim, cumprimento rigoroso do que foi acordado, algo que contrasta com a condução errática da crise pela Prefeitura.
A tentativa de Adriane de envolver o Governo Riedel revela um padrão preocupante. Quando pressionada, a prefeita não assume responsabilidades, não reconhece falhas e não lidera soluções. Prefere criar conflitos institucionais e expor aliados para tentar diluir o desgaste político.
Eduardo Riedel, ao contrário, tem mantido postura de equilíbrio e colaboração com Campo Grande. Mesmo sem obrigação legal, o Estado aportou recursos, firmou convênios e lançou obras estruturantes na Capital, incluindo investimentos em infraestrutura e mobilidade urbana que beneficiam diretamente a população.
O episódio deixa claro que a crise do transporte não nasceu no Parque dos Poderes, mas no Paço Municipal. Enquanto o Governo do Estado cumpre acordos e age com responsabilidade fiscal e institucional, a Prefeitura insiste em negar erros, atacar trabalhadores e procurar culpados externos. No fim, sobra para a população o caos e para a prefeita a imagem de quem prefere terceirizar fracassos a governar de fato.