Fiems drena cofres públicos e servidor amarga reajuste humilhante

O reajuste de 3,81% concedido aos servidores públicos estaduais caiu como afronta diante de uma realidade inflacionária que corrói salários e dignidade. O índice, muito aquém do esperado, escancarou um desequilíbrio que já vinha sendo denunciado nas ruas e nos corredores do serviço público. E no centro dessa insatisfação, um alvo claro ganhou força entre os manifestantes.

Durante protesto realizado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, servidores de diversas categorias deixaram evidente quem consideram responsável por esse cenário. O coro foi direto e sem rodeios contra a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul, entidade que, segundo eles, exerce forte influência sobre decisões que impactam diretamente as contas do Estado.

Professores, policiais, servidores do Detran e profissionais da saúde estiveram presentes na mobilização. Unidos pela indignação, denunciaram o que consideram um modelo perverso de gestão fiscal que privilegia setores empresariais enquanto sacrifica quem mantém a máquina pública funcionando.

A crítica central gira em torno das isenções fiscais concedidas a empresas ligadas ao setor industrial. De acordo com representantes do funcionalismo, esses benefícios drenam recursos que poderiam ser destinados à valorização dos servidores. O resultado é um orçamento pressionado e reajustes simbólicos que não acompanham sequer a inflação.

Segundo dados apresentados pelo Fórum dos Servidores, o volume de renúncia fiscal chega a cifras bilionárias. A estimativa é de que, apenas neste ano, o montante alcance a casa dos R$ 11bilhões. Um valor que, na avaliação dos trabalhadores, faria toda a diferença na recomposição salarial.

A projeção para os próximos anos agrava ainda mais o cenário. Entre 2026 e 2028, a renúncia fiscal pode ultrapassar os R$ 11,9 bilhões. Um compromisso de longo prazo que, na prática, reduz a capacidade do Estado de investir em áreas essenciais e de garantir remuneração digna aos seus servidores.

Enquanto isso, decretos seguem sendo publicados ampliando benefícios para setores econômicos. Recentemente, foi garantida a continuidade de incentivos fiscais para 12 segmentos até o fim de dezembro. Conforme os servidores, há dinheiro para abrir mão de receita, mas não há para recompor salários.

A insatisfação cresce na mesma proporção em que se amplia a percepção de injustiça. Servidores que enfrentam jornadas exaustivas, especialmente nas áreas de saúde e segurança, se veem desvalorizados diante de um sistema que prioriza interesses econômicos organizados.

A ausência de posicionamento da Fiems diante das críticas também contribui para o desgaste. Procurada para se manifestar, a entidade sequerrespondeu, o que reforça a sensação de distanciamento em relação ao impacto social das políticas defendidas.

O comando da federação, sob liderança de Sérgio Longen, passa a ser cada vez mais questionado. Para os servidores, a atuação da entidade tem pesado mais para a manutenção de privilégios do que para o equilíbrio das contas públicas.

O resultado desse modelo é visível nas ruas e nos contracheques. A perda do poder de compra se acumula mês após mês, enquanto o custo de vida segue em alta. O reajuste concedido, longe de aliviar, aprofunda a sensação de abandono.

Diante desse cenário, a pressão tende a aumentar. O funcionalismo já deixou claro que não aceitará calado um reajuste que ignora a realidade econômica. E enquanto bilhões continuam sendo destinados a incentivos fiscais, a cobrança por justiça e equilíbrio só tende a crescer.

Compartilhe
Notícias Relacionadas
© 2024 O Consumidor News
Desenvolvido por André Garcia - www.conffi.com.br