
A novela da saúde em Campo Grande ganhou novo capítulo com a denúncia de um desvio de R$ 156 milhões do Fundo Municipal de Saúde para outras finalidades. O valor, que deveria ser intocável, teria sido desviado enquanto pacientes enfrentam filas intermináveis, postos de saúde sem remédios e profissionais trabalhando sem estrutura mínima.
O vereador Landmark Rios expôs que o Conselho Municipal de Saúde já havia alertado o Ministério Público sobre a situação em agosto. A denúncia mostra que há quase um ano o colegiado não recebe extratos bancários nem informações sobre as contas do Fundo, numa afronta direta ao princípio da transparência. Em outras palavras, a Prefeitura trata o dinheiro da saúde como caixa particular.
Para piorar, fornecedores e prestadores de serviços relataram atrasos constantes nos pagamentos, comprometendo o atendimento. É a gestão que não paga, não explica e ainda some com os milhões que deveriam salvar vidas. A matemática é cruel, mas o descaso é ainda maior.
Landmark levou a denúncia também ao Tribunal de Contas, ao TCU e ao Departamento Nacional de Auditoria do SUS. Se a prefeita Adriane Lopes acreditava que conseguiria abafar o caso, agora terá de responder em várias frentes. Afinal, não se trata de troco de padaria, mas de R$ 156 milhões em recursos federais destinados exclusivamente à saúde.
A gravidade do escândalo foi confirmada em visitas recentes a unidades de saúde. O vereador encontrou 37 medicamentos em falta, equipamentos quebrados e servidores usando aparelhos pessoais para atender pacientes. A precariedade é tão grotesca que virou regra.
Nos CAPS, a situação é ainda mais absurda. A Prefeitura comprou apenas mil comprimidos de Depakene, remédio controlado que dura menos de duas horas diante da demanda. É como se o poder público decidisse brincar de tratar pacientes, oferecendo paliativos que não passam de esmola.
O contraste entre repasses e a realidade das unidades é escandaloso. Só neste ano, o governo federal enviou mais de R$ 428 milhões à Prefeitura, mas o cidadão não vê o retorno. A única coisa que cresce é a fila, o sofrimento e a indignação. O dinheiro existe, mas some no meio do caminho.
Enquanto a prefeita posa para fotos em inaugurações de praças, a saúde agoniza. Não há planejamento, não há prioridade, não há transparência. O que há é uma máquina de maquiagem política que tenta esconder um buraco financeiro do tamanho de R$ 156 milhões.
O caso escancara a incompetência da atual gestão em lidar com o básico. A população não pede luxo, pede remédio, médico, exames e condições dignas de atendimento. Pedidos que viram luxo quando o dinheiro some nos labirintos dos contratos nebulosos.
Landmark protocolou ofícios exigindo explicações à Secretaria Municipal de Saúde e ao gabinete da prefeita. Se a resposta vier, dificilmente trará novidade. Afinal, a desculpa oficial sempre é criativa, mas nunca convincente.
O escândalo dos R$ 156 milhões pode ser o maior da história recente da Capital. Mas talvez seja apenas mais um capítulo de uma gestão que se acostumou a transformar tragédia em rotina. E, como sempre, quem paga a conta é o povo que adoece e não encontra socorro.