
A Capital de Mato Grosso do Sul amanheceu estarrecida com a notícia de que o destino do transporte público foi selado em gabinetes fechados. A prefeita Adriane Lopes confirmou a venda do Consórcio Guaicurus para um grupo de Goiás como se estivesse negociando um móvel velho da própria residência. A postura da chefe do Executivo escancara uma total e absoluta falta de transparência na gestão dos bens que pertencem ao povo. Administrar uma cidade do tamanho de Campo Grande exige responsabilidade pública e debates abertos, mas a prefeita prefere o silêncio confortável das decisões monocráticas.
É inadmissível que o cidadão trabalhador dependente de ônibus lotados só descubra o futuro da mobilidade urbana quando o martelo já foi batido. Enquanto a população amarga horas de espera em pontos, os bastidores da prefeitura operavam em sigilo para chancelar o negócio bilionário.
A chefe do Executivo trata o município como se fosse o quintal de sua casa, ignorando que o transporte coletivo é um serviço essencial. A comunidade foi sumariamente excluída de um debate que afeta diretamente a rotina diária de milhares de famílias campo-grandenses.
A desfaçatez governamental atinge níveis alarmantes porque os rumores sobre essa transação comercial já circulavam nas garagens desde abril. Funcionários humildes e motoristas já sabiam do raio-X financeiro e das auditorias que pavimentavam o caminho para a venda da concessão. Enquanto o cidadão comum era mantido nas trevas pela comunicação oficial, o mercado privado se movimentava livremente sob os olhos da administração. Esse comportamento omisso da prefeita reforça o sentimento de revolta de uma população cansada de ser a última a saber das decisões.
Para piorar o cenário de desrespeito, a prefeita Adriane Lopes veio a público declarar que vê a notícia com bons olhos. Em vez de exigir explicações e liderar o processo com a altivez do cargo, a governante apenas aguarda a anuência do poder público. Essa postura passiva diante de um consórcio historicamente criticado por péssimos serviços soa como um tapa na cara do usuário do transporte. A prefeitura abre mão de seu papel fiscalizador para se transformar em mera espectadora de transações corporativas.
O histórico do transporte coletivo na Capital é marcado por comissões parlamentares de inquérito que sistematicamente terminaram em pizza. A recente tentativa do Consórcio Guaicurus de bloquear judicialmente o acesso a R$ 46 milhõesdemonstra a audácia da empresa. Mesmo diante desse cenário de guerra jurídica e de indícios de desmonte, a prefeitura escolheu o caminho do compadrio. Não houve uma audiência pública sequer para ouvir as demandas da comunidade antes de chancelar a nova empresa da Capital.
O desrespeito com a transparência é tão flagrante que até mesmo vereadores batiam cabeça nos bastidores tentando decifrar o que estava acontecendo. Enquanto o Consórcio Guaicurus negava categoricamente as negociações em notas oficiais mentirosas, a verdade era cozinhada em fogo brando no Executivo. Esse jogo de cena e essa cortina de fumaça servem apenas para proteger os interesses de grandes empresários em detrimento do bem-estar social. A prefeita Adriane Lopes falha gravemente no quesito mais básico da democracia ao sonegar informações fundamentais.
A revolta que toma conta das ruas é plenamente justificada pelo fantasma da continuidade da má qualidade dos serviços. Boatos internos apontam que o novo grupo goiano planeja trazer 100 veículosusados para substituir a frota mais crítica da Capital. Aceitar essa condição sem qualquer questionamento público ou critérios técnicos transparentes é o ápice da humilhação para os passageiros. A prefeita parece aceitar qualquer esmola empresarial para se livrar do problema da intervenção, sem se importar com a segurança do povo.
O modo de governar centralizador adotado pela atual administração municipal anula os mecanismos de controle social do Poder Legislativo. O contrato de concessão deixa claro que qualquer mudança de comando depende do aval definitivo da prefeitura, transferindo a culpa do segredo para Adriane Lopes. Se a negociação ocorreu nas sombras, foi porque a prefeita permitiu que o interesse público ficasse em segundo plano. Esse estilo de gerenciar o município sem prestar contas afronta diretamente os princípios da publicidade e da moralidade.
A população não pode mais aceitar passivamente ser tratada como um mero detalhe na planilha de custos do transporte. A cidade exige respostas sobre quais compromissos foram firmados nessa venda realizada às escuras e quais melhorias reais foram exigidas. A era das decisões tomadas na calada da noite precisa acabar se quisermos construir uma Capital minimamente justa. O transporte público não é mercadoria de balcão e os cidadãos não são inquilinos submissos nos caprichos da prefeita.
Fica o protesto veemente contra essa política do fato consumado que aniquila a cidadania e transforma a prefeitura em balcão de negócios. Campo Grande merece uma liderança que governe de frente para o povo, com portas abertas e debates francos sobre investimentos. A venda do Consórcio Guaicurus sem a devida transparência ficará marcada como um episódio vergonhoso de desrespeito ao eleitor. Resta saber até quando a sociedade civil e os órgãos de fiscalização vão tolerar esse governo que confunde o público com o privado.