Duplicatas frias e dinheiro quente movimentam golpe milionário da carne

Um escândalo financeiro de grandes proporções chegou ao Jornal O Consumidor News por meio de denúncia anônima, revelando um suposto esquema de fraudes envolvendo a empresa Beta Carnes Alimentos Ltda. e seus verdadeiros controladores. Documentos e relatórios obtidos pela reportagem apontam para a emissão de duplicatas frias em valores que chegam a R$ 15 milhões, atingindo empresas do setor de carnes em diversos estados do país.

O boletim de ocorrência lavrado em Belo Horizonte revela que a empresa Alimentar Foods Frigorífico foi uma das vítimas. Segundo o representante legal da companhia, a Beta Carnes teria emitido três títulos fraudulentos — nos valores de R$ 575 mil, R$ 674 mil e R$ 649 mil — sem qualquer operação comercial que os justificasse. Os boletos foram cedidos a fundos de investimento, transformando o golpe em um sofisticado esquema de circulação de créditos inexistentes.

A investigação identificou que os supostos donos da Beta Carnes seriam apenas “laranjas”. O verdadeiro controlador, segundo os documentos, seria José Alberto Miri Berger, com o apoio de sua esposa Mirela Barbosa Rigotti. O casal, conforme relatos, já responderia a processos semelhantes envolvendo a empresa Braspeli e teria transferido parte do patrimônio para o nome de uma agropecuária registrada em nome da filha menor de idade, numa clara tentativa de ocultar bens.

A denúncia ainda cita que Berger oferecia como garantia um terreno registrado em nome da esposa, e que diversas reuniões foram realizadas com fundos e gestores para legitimar a operação, sempre com promessas de lastro inexistente. Uma das fontes ouvidas afirmou que o golpe “repetia o mesmo roteiro”, misturando aparência de legalidade, empresas de fachada e garantias fictícias.

De acordo com o relatório, o esquema contava com empresas intermediárias, entre elas a Frigofort, em nome de outro “laranja”, Divino Eterno Cândido de Melo, usada para movimentar valores e dificultar o rastreamento das operações. As duplicatas, vendidas a fundos de investimento (FIDCs), teriam sido usadas para levantar recursos rápidos no mercado financeiro, com lastro em negócios forjados. Segundo a denúncia, o golpe foi aplicado em pelo menos 12 FIDCs, refletindo em prejuízo a dezenas de clientes.

Em meio à apuração, surgiram indícios de ocultação de patrimônio e fraude contra credores. Segundo o texto da denúncia encaminhada ao Ministério Público, há suspeita de que Berger tenha transferido bens para familiares e constituído pessoas jurídicas apenas para blindagem patrimonial. O material menciona ainda reuniões numa gestora em Curitiba, onde o investigado teria apresentado todo o patrimônio como garantia.

O Jornal O Consumidor News também teve acesso à notificação extrajudicial enviada aos envolvidos, que detalha a tentativa de responsabilização civil e criminal dos participantes do esquema. O documento menciona que, mesmo

após alertas, nenhuma providência foi tomada, reforçando a intenção deliberada de fraudar o mercado e ludibriar fundos e investidores.

Os relatórios anexados à denúncia confirmam o padrão de atuação: emissão de notas fiscais falsas, cessão de duplicatas simuladas e uso de intermediários para dar aparência de legitimidade. O material cita inclusive que, ao serem questionados, alguns sacados apresentaram provas de confissão das irregularidades cometidas pela Beta Carnes, além de confirmar a existência de reuniões para tratar das duplicatas frias.

A investigação segue em andamento, mas os fatos apontam para um caso clássico de estelionato empresarial, que mistura esperteza financeira, lavagem de dinheiro e blindagem familiar. Segundo a fonte que encaminhou os documentos, o objetivo agora é forçar a responsabilização penal do casal Berger e a execução de bens que teriam sido ilegalmente ocultados em nome de terceiros.

O escândalo se espalha como rastilho de pólvora entre empresários e fundos de investimento que operam com direitos creditórios, reacendendo o alerta sobre a fragilidade dos mecanismos de verificação de duplicatas no país. Trata-se de um golpe sofisticado, mas com cheiro velho.

Enquanto a Justiça e o Ministério Público apuram o caso, uma certeza já se impõe: o mercado financeiro continua sendo terreno fértil para os que transformam papel em fortuna, e fraude em estratégia. O Jornal O Consumidor News seguirá acompanhando cada capítulo dessa história, que promete expor um dos esquemas mais audaciosos do setor de carnes dos últimos anos.

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