Dose única de emagrecedores ‘aquece’ mercado das seringas e deixa produto em falta nas farmácias

O remédio precisa da seringa que precisa de muito estoque para atender a demanda, ainda mais quando vendido em “dose única”. A reação em cadeia tem causado a falta do produto nas farmácias de Campo Grande e o resultado é que muitas pessoas estão buscando, na internet, a solução para tomar a dose da caneta emagrecedora. A medicação, antes vendida como um todo, agora é ofertada de forma fracionada em muitas clínicas ou até mesmo por pessoas que os manipulam.

“Fui em uma farmácia, na Rua 14 de Julho,para comprar seringa de insulina e aplicar o medicamento, mas eu queria somente umas quatro, porque a intenção é aplicar o medicamento somente por quatro semanas. Quando pedi no caixa, o atendente disse que não tinha, que estava em falta. Ele disse que era porque tinha bastante gente comprando para aplicar a TG [Tirzepatida]. A única disponível lá era um pacote com dez seringas no valor de R$ 50”, comentou uma jovem de 25 anos.

Sendo assim, decidiu buscar no aplicativo da farmácia, porém, constava a indisponibilidade em todas as unidades. “Até mesmo o pacote com dez unidades está indisponível no aplicativo. Mandei mensagem no WhatsApp da farmácia dias depois, para ver se tinha seringa avulsa, mas me responderam que não, pois está em falta na indústria. A única que eles comentaram que estão tendo é o pacote com dez unidades. Como eu preciso de apenas 4 unidades, achei que não compensava pagar o valor do pacote com dez, então, não comprei”, disse.

Ainda na busca, a jovem conta que buscou, no aplicativo de outra rede de farmácias, um pacote de dez seringas por R$ 11,99, mas, também não tinha. “Enfim, diante de tudo isso eu optei por comprar na Shopee. Lá encontrei um pacote de dez seringas por R$ 17,90, e ainda com frete grátis”, comentou.

‘Busca intensa por seringa tem causado desabastecimento’, diz presidente do CRF-MS

A presidente do CRF-MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul), Daniely Proença, comentou que o cenário atual em Mato Grosso do Sul, especialmente em Campo Grande, reflete um impacto direto da alta demanda por emagrecedores injetáveis no estoque de insumos básicos.

Sendo assim, o aumento expressivo no consumo de medicamentos para perda de peso provocou uma escassez de seringas para insulina nas farmácias da Capital. Este fenômeno ocorre porque usuários de medicamentos fracionados utilizam essas seringas para aplicação subcutânea, tornando o item raro nas prateleiras e prejudicando pacientes que dependem do insumo para o tratamento de diabetes.

“O CRF faz a fiscalização para garantir que o farmacêutico esteja no estabelecimento, mas, também traz orientações e capacitação. E também escutamos o profissional, o qual tem relatado que o aumento da busca realmente tem trazido este desabastecimento. Aliás, até nas unidades de saúde estão comentando que muitas pessoas estão indo em busca de seringas”, disse.

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Proença ressalta que os farmacêuticos reconhecem quando o cliente vai em busca da agulha de insulina para utilização em dose única, procedimento totalmente irregular. “A caneta é apropriada e tem a dosimetria correta, vai só girando e ela vai dosando. Não é como uma ampola de benzetacil, por exemplo. E isso se torna um risco muito maior para a sociedade. É um medicamento que precisa ficar refrigerado em 2°C a 8°C graus. Quem pode garantir que é o remédio é de verdade? Que não vai ter reações mais fortes, entre outras possibilidadfes que colocam a vida em risco?”, comenta.

A presidente argumenta que muitas pessoas estão fracionando o medicamento e carregando dentro do carro, sem qualquer controle. “O paciente não passa por anamnese e o remédio é injetado sem as condições necessárias e, com o aumento do uso de seringas, quem faz tratamento crônico, como diabetes, está ficando sem o produto. E é justamente por isso que temos tanto casos de panctreatite aguda, diarreia, vômitos e enxaqueca. Na hora, muitos não falam que usaram o remédio de forma fracionada”, finalizou.

Por que as seringas sumiram das prateleiras?

Demanda Explosiva por Estética: O aumento no consumo de medicamentos para perda de peso (como Ozempic e Mounjaro) e suas versões manipuladas ou fracionadas fez com que a procura por seringas de aplicação subcutânea disparasse.

Uso em Medicamentos Fracionados: Como alguns emagrecedores são vendidos em frascos ou “doses únicas” que exigem a transferência para uma seringa, usuários que não possuem diabetes passaram a comprar estoques que antes eram exclusivos para tratamento de saúde.

Problemas Logísticos Globais: Há uma restrição mundial na oferta de insumos plásticos e agulhas, o que dificulta a reposição rápida dos estoques nas farmácias de Mato Grosso do Sul.

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