
Esta segunda-feira promete ser o retrato acabado do descontrole administrativo em Campo Grande, com ônibus fora das ruas, trabalhadores sem salário e uma cidade inteira pagando a conta da inércia da prefeita Adriane Lopes. A paralisação do transporte coletivo, anunciada para começar sem prazo para terminar, chega justamente no mês mais importante do ano para a economia local e transforma dezembro, tradicionalmente sinônimo de movimento e faturamento, em um cenário de prejuízos generalizados.
Do ponto de vista dos comerciantes, o impacto é devastador. O transporte coletivo é o principal meio de locomoção de milhares de consumidores e trabalhadores, e sua interrupção afeta diretamente o fluxo de pessoas no comércio, reduz vendas e desorganiza toda a dinâmica urbana. Em pleno período natalino, quando cada dia conta para fechar as contas do ano, a cidade caminha para um apagão econômico anunciado.
A greve é consequência direta da falta de pagamento dos salários de novembro, vencidos desde o dia 5, e da incerteza quanto ao vale e ao décimo terceiro. Motoristas e cobradores decidiram cruzar os braços porque trabalhar sem receber virou regra, enquanto o poder público insiste em empurrar o problema para frente como se o calendário fosse elástico.
O Consórcio Guaicurus afirma que não há recursos porque os repasses do município estão atrasados. A prefeitura, por sua vez, limita-se a uma versão protocolar de que não existe débito, sem apresentar solução concreta. No meio desse jogo de empurra, quem perde é a cidade, que amanhece refém de um conflito que poderia ter sido evitado com diálogo, responsabilidade e comando.
Para o comércio, a falta de posicionamento claro da administração municipal é tão grave quanto a própria greve. Empresas trabalham com planejamento, previsibilidade e datas certas. Sem saber se haverá ônibus ou não, lojistas não conseguem organizar horários, equipes, estoques e promoções. O improviso imposto pela prefeitura vira prejuízo certo no caixa.
Mesmo sem paralisação, pesquisas já indicavam retração nas vendas de Natal. Com a greve, o cenário tende a se agravar de forma dramática, empurrando Campo Grande para um dos piores desempenhos de dezembro dos últimos anos. O consumidor que não consegue chegar ao centro ou aos bairros comerciais simplesmente deixa de comprar, e o dinheiro que deveria circular fica parado junto com os ônibus.
A preocupação também se estende aos polos industriais e empresariais, onde milhares de trabalhadores dependem exclusivamente do transporte coletivo. A ausência de ônibus significa atrasos, faltas, queda de produtividade e mais um golpe em uma economia que já opera no limite da resistência.
O que mais revolta o setor produtivo é o silêncio da prefeita. Não há anúncio de medidas emergenciais, negociação efetiva ou ação judicial clara para destravar
o impasse. A gestão parece assistir de camarote ao colapso da mobilidade urbana, como se o caos fosse um problema alheio.
Dezembro, mês de contas a pagar, salários, impostos e expectativas, está sendo tratado com descaso por quem deveria garantir o mínimo funcionamento da cidade. A greve não caiu do céu. Ela foi construída dia após dia pela falta de diálogo, pela ausência de gestão e pela incapacidade de antecipar uma crise anunciada.
Enquanto comerciantes contam prejuízos, trabalhadores ficam sem salário e consumidores sem ônibus, Campo Grande entra na semana mais decisiva do ano sem comando, sem solução e sem horizonte. O Natal, ao que tudo indica, será de vitrines acesas e portas vazias, reflexo direto de uma administração que conseguiu parar a cidade justamente quando ela mais precisava andar.