Desconto com uma mão, castigo com a outra: a hipocrisia fiscal de Adriane Lopes

Na cidade onde o buraco na rua concorre com o do orçamento, a prefeita Adriane Lopes volta a provar que sua especialidade é penalizar quem menos pode pagar a conta. Durante a votação do novo programa de Refis na Câmara Municipal, a vereadora Luiza Ribeiro fez um alerta que deveria constranger qualquer gestão minimamente sensível: a mesma Prefeitura que oferece desconto em multas e juros está levando automaticamente ao protesto em cartório os contribuintes que não conseguem pagar IPTU e ISS.

Sim, é isso mesmo. Em uma jogada que mistura aparência de benevolência com prática de perseguição, o Executivo municipal decidiu usar o Refis como isca e o protesto como anzol. Quem não consegue negociar a tempo é lançado à vala da negativação de crédito, com custas cartorárias a mais e nome sujo na praça. Um modelo de gestão que prefere constranger o cidadão a enfrentar a própria inadimplência, em vez de buscar saídas realmente humanas e eficazes.

A vereadora Luiza Ribeiro foi direta: “Como podemos aliviar de um lado com o Refis e, ao mesmo tempo, punir com ainda mais dureza levando a dívida ao protesto?”. A pergunta ecoa entre comerciantes sufocados, famílias endividadas e idosos que mal conseguem pagar os remédios — isso quando os remédios não estão em falta na rede pública, como ocorre com frequência na gestão Adriane.

A lógica é cruel: o cidadão enfrenta desemprego, inflação, buracos nas ruas, escolas sem estrutura e postos de saúde sem insumos. Em vez de apoio, recebe uma intimação cartorária. Enquanto isso, a Prefeitura exibe números de arrecadação recorde, como se a máquina pública fosse um caixa eletrônico, só que invertido, que retira em vez de devolver.

A política de Adriane é um verdadeiro balé da incoerência. Anuncia Refis com fanfarra midiática, mas esconde o chicote do protesto na cláusula miúda. Ao invés de cuidar da cidade e dos que mais precisam, opta por intimidar os inadimplentes como se fossem criminosos, e não vítimas de uma administração que entrega pouco e cobra muito.

A Câmara Municipal, pressionada por vozes como a de Luiza Ribeiro, promete rediscutir a medida. Mas o fato é que o dano já está feito: milhares de campo-grandenses estão sendo lançados ao sufoco do cartório como prêmio por não conseguirem acompanhar a voracidade fiscal de uma Prefeitura que não dá conta nem de tapar um buraco, mas é eficiente para negativar um CPF.

O protesto da dívida ativa como ferramenta automática é um atestado de desprezo pelo contribuinte, um cidadão que, em vez de acolhido, é punido pela sua pobreza. No jogo desigual entre quem deve e quem governa mal, a prefeita Adriane Lopes escolheu de que lado ficar. E, mais uma vez, não foi o do povo.

A cidade pede socorro, e a resposta da Prefeitura é: “Se não pagar, a gente protesta”. Campo Grande merece mais do que isso. Merece justiça fiscal, não terrorismo cartorário.

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