Cultura fica distante da rotina dos campo-grandenses e deixa Capital com pior índice em pesquisa

Foi lançado na tarde desta quarta-feira (20) o resultado inédito de uma pesquisa sobre hábitos culturais em Campo Grande. Os números revelaram que a Capital sul-mato-grossense ficou abaixo da média nacional. Isso porque, das 14 atividades culturais pesquisadas, como museus, teatro e danças, os entrevistados afirmaram nunca ter participado.

A pesquisa foi realizada nas 27 capitais do Brasil e ouviu 19,5 mil pessoas. Em Campo Grande, foram ouvidas 600 pessoas, abordadas em mercados, feiras, terminais de ônibus e locais com maior fluxo da população.

Segundo o coordenador da pesquisa, João Leiva, o objetivo é identificar o que a população da capital está acessando como atividade cultural. “Conseguir identificar o perfil de quem está e não está acessando cultura, e a partir disso fazer ações com o poder público e iniciativa privada, para desenvolver ações que possam ajudar a ampliar o acesso desse publico a acultura”, declarou.

Os números chamam atenção. Campo Grande ficou abaixo da média nacionais para todas as 14 atividades culturais pesquisadas. De acordo com o levantamento, 49% dos entrevistados nunca participaram de nenhuma atividade cultura, nem de forma amadora. Em comparação às outras capitais, esse é o pior índice encontrado na pesquisa.

João Leiva conta que a questão geracional influencia no hábito de consumo a cultura. ” Quando a gente pergunta se as pessoas praticaram alguma atividade cultural durante a vida, se já pintou ou desenhou, aqui [Campo Grande] é o maior percentual de pessoas que nunca praticaram nada na vida. E a gente sabe que quem tem a oportunidade de praticar alguma coisa quando é jovem, quando é criança, em geral, aumenta o hábito cultural no futuro”, afirma.

Educação e Renda

No lançamento, foram apontados dois fatores para o baixo consumo de cultura em Campo Grande. Educação e renda foram os principais tópicos apresentados como pontos fundamentais para estimular a cultura.

Os dados mostram que pessoas com ensino fundamental ficam abaixo da média de consumo de cinema, com 12%, de teatro, com 2% e dança, com 5%. Já os entrevistados do ensino superior, a participação em cinema passa a média nacional, com 59%, mas em teatro e dança permanecem abaixo, com 20% e 23%, respectivamente.

Para Ana Cláudia Ledesma, socióloga e educadora, o acesso à cultura é um leque de possibilidade. “Assim como a educação transforma, a cultura também é transformadora. Ela te abre e te tira de várias vulnerabilidades, tanto sociais, emocionais” conta.

A socióloga conta ainda que, para além de questões culturais, colocados como impasse ao consumo de cultura na capital, é preciso entender de fato o conceito de cultura. “Eu acho que a gestão pública também tem que ter um carinho de entendimento do que é a cultura no nosso país. É uma política necessária, então, vai depender como o gestor olha a cultura em si”, conclui.

Poder público

Esteve presente no seminário, Giovana Corrêa, assessora executiva da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. Para ela, a pesquisa é uma oportunidade para se planejar de maneira mais efetiva, as próximas atividades culturais, não só em Campo Grande, como nos demais municípios do MS. “Esses números, ele pode até mudar a visão em relação a alguns projetos. Porque, baseado em pesquisa, você tem um parâmetro de onde estão as falhas, aonde você pode melhorar, e investimento”, conta.

Geovana afirma, que para além de questões culturais, que dificultam o consumo de cultura, é preciso investir na educação. “Eu vejo que a educação é o caminho, a aproximação da educação com uma cultura, ela vem para favorecer. Então, eu vejo de muita importância o investimento na educação, porque ela transforma vidas pessoas”, conclui.

Metodologia da pesquisa

O levantamento ouviu 19,5 mil pessoas, moradoras de todas as capitais do Brasil, sendo 600 de Campo Grande. A pesquisa abordou pessoas com mais de 16 anos e de todos os níveis socioeconômicos.

As abordagens acontecerão entre fevereiro e maio de 2024, em locais com maior fluxo de pessoas. Segundo João leiva, realizador da pesquisa, a ideia foi ir em locais que concentrasse pessoas de todas as regiões da cidade, como supermercados, terminais de ônibus e feiras.

As pessoas abordadas, eram indagadas com até 61 perguntas, além das relacionadas a características sociais e econômicas (como escolaridade, cor da pele, etc.). O instituto responsável pelo estudo é o Datafolha.

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