Corrupção explode na Sisep e briga política trava comando da secretaria

A gestão da prefeita Adriane Lopes afundou de vez em mais uma crise política e administrativa após a Operação Buraco Sem Fim escancarar suspeitas de corrupção milionária dentro da Sisep. Enquanto empresários e ex-integrantes da secretaria estão presos, a Prefeitura de Campo Grande segue incapaz até mesmo de definir quem comandará a pasta responsável pela infraestrutura da Capital.

A Sisep está sem secretário desde 1º de abril, quando Marcelo Miglioli deixou o cargo. Quase dois meses depois, a administração municipal continua travada por disputas políticas envolvendo o grupo da prefeita e o PP da senadora Tereza Cristina.

Nos bastidores políticos, a crise ganhou contornos ainda mais explosivos após o suposto rompimento entre a senadora Tereza Cristina e a família Lopes. A informação que circula dentro da própria prefeitura é de que Tereza teria travado a nomeação do novo secretário da Sisep em meio ao desgaste provocado pela Operação Buraco Sem Fim. 

O resultado dessa guerra política entre Tereza Cristina, Adriane Lopes e seu marido, o deputado Lidio Lopes, é desastroso para Campo Grandeporque, sem comando definitivo na pasta, a prefeitura até promete obras, mas não consegue demonstrar força política nem administrativa para efetivamente colocar os serviços nas ruas. Enquanto figurões brigam pelo controle de uma das secretariasmais contaminada por suspeitas de corrupção da atual gestão, a população continua abandonada no meio da buraqueira, pagando a conta de uma disputa que sequer entende direito.

A Operação Buraco Sem Fim revelou suspeitas de pagamentos por serviços que sequer teriam sido executados. Segundo o Ministério Público, contratos que ultrapassam R$ 113 milhões envolvendo a Construtora Rial estão sob investigação por supostos desvios ligados à operação tapa-buracos.

O escândalo atingiu em cheio antigos nomes fortes da secretaria. Rudi Fiorese, que comandou a pasta nas gestões de Marquinhos Trad e Adriane Lopes, segue preso preventivamente. Durante a operação, investigadores encontraram R$ 183 mil em dinheiro vivo dentro de sua residência.

Os empresários Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, donos da Rial e pivôs do escândalo, também continuam presos enquanto o Grupo Especial de Combate à Corrupção aprofunda a análise dos contratos e do conteúdo dos celulares apreendidos.

A situação ficou ainda mais constrangedora porque o nome inicialmente escolhido para assumir a Siseptambém passou a gerar enorme desgaste político. Paulo Eduardo Cançado Soares chegou a ser anunciado oficialmente como novo secretário, participou de cerimônia, concedeu entrevistas e apareceu como futuro comandante da pasta. Até hoje, porém, sua nomeação não saiu sequer no papel.

E o motivo do congelamento político é evidente. Dentro da própria prefeitura passou-se a contabilizar a quantidade de contratos e aditivos assinados por Paulo Eduardo Cançado envolvendo justamente a Construtora Rial. Foram nove assinaturas, incluindo aditivos em contratos agora investigados pelo Ministério Público e novos contratos celebrados com a empreiteira no centro do escândalo.

O cenário expõe um retrato devastador da gestão Adriane Lopes. A secretaria responsável pelas obras, pelo tapa-buraco e pela infraestrutura da cidade virou alvo de investigação criminal, antigos gestores estão presos, empresários ligados aos contratos seguem atrás das grades e a prefeitura simplesmente não consegue resolver o comando da pasta.

Campo Grande, como sempre, continua convivendo com o caos e com uma administração mergulhada em escândalos e disputas políticas. A Sisep virou símbolo de um governo paralisado pela crise, pela desconfiança e pelos esquemas que seguem explodindo dentro da própria estrutura da prefeitura.

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