
Com a chegada do período eleitoral, já começam a surgir as contas falsas nas redes sociais.
A movimentação ocorre com envio em massa de solicitações de amizade para usuários reais, visando elevar o número de conexões aos perfis recém-criados.
O objetivo final dessa prática é a comercialização dessas contas para agentes políticos, que passam a deter canais com audiência pré-estabelecida, criando assim mais um meio de distribuição de conteúdos durante o processo eleitoral.
A estratégia de inflar perfis busca simular influência e popularidade digital de forma artificial. Ao atingir um teto de seguidores ou amigos, o perfil tem o nome e as fotos alterados para atender aos interesses do comprador.
Essa prática antecede as convenções partidárias e o início oficial da propaganda eleitoral, momento em que a fiscalização da Justiça Eleitoral sobre o impulsionamento de conteúdos e a identidade dos canais de comunicação se torna mais rigorosa.
Para ‘burlar’ os fraudadores, o eleitor pode observar algumas características comuns para esse tipo de perfil. A utilização de imagens de bancos de dados, fotos de pessoas em outros países ou rostos gerados por inteligência artificial é recorrente.
Além disso, perfis falsos geralmente possuem pouca ou nenhuma publicação antiga. A ausência de fotos marcadas por amigos reais ou de registros de eventos sociais sinaliza uma conta artificial.
As contas criadas para venda ainda costumam compartilhar links genéricos ou fotos aleatórias em curto intervalo de tempo apenas para manter o perfil ativo, sem interações reais nos comentários.
Outro detalhe a observar é a falta de conexões com pessoas do círculo social local. Apesar de o perfil se identificar como residente em Mato Grosso do Sul, é um indicativo de conta operada por sistemas automatizados ou agências de engajamento.
A manutenção de perfis falsos com o intuito de influenciar o pleito ou atacar oponentes é monitorada pelos órgãos de controle.
A legislação determina que toda a propaganda eleitoral na internet deve ser realizada em endereços eletrônicos comunicados oficialmente, sendo vedado o uso de tecnologias para o anonimato ou a criação de identidades fictícias para fins políticos.
Em 2023, contas semelhantes a essas foram alvo de ações do STF (Supremo Tribunal Federal) contra a disseminação de conteúdos irregulares. Na época, o ministro Alexandre de Moraes determinou a exclusão de 17 contas em múltiplas plataformas.
A medida fundamentou-se em relatórios de inteligência da PF (Polícia Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A ação atingiu desde contas com 60 seguidores até influenciadores com milhares de usuários conectados. Entre os alvos, estiveram perfis que realizaram transmissões ao vivo de atos de vandalismo contra as sedes dos Três Poderes ou que compartilharam informações falsas sobre a autoria das depredações.
A decisão obrigou o fornecimento de dados cadastrais dos usuários ao STF e a preservação do conteúdo publicado, visando subsidiar investigações sobre organização criminosa e desestabilização das instituições.