Comitê da saúde expõe a farsa do poder paralelo em Campo Grande

A ex-secretária Rosana Leite de Melo, ao contrário do que se alardeou, não caiu de vez: apenas foi recauchutada como assessora na Casa Civil. Uma exoneração que não exonerou nada, apenas rearranjou as peças no tabuleiro onde quem realmente manda é Lídio Lopes, marido da prefeita.

Em vez de corrigir os rumos, Adriane Lopes decidiu inovar no pior sentido da palavra. Criou um tal “Comitê Gestor da Saúde”, um arranjo que sequer encontra respaldo constitucional. O artigo 9º, inciso III, deixa claro que a administração deve ser direta, com um secretário ordenando despesas e assumindo responsabilidade. Mas quem se importa com a lei quando se governa no improviso?

O comitê, claro, não passou pelo crivo do Conselho Municipal de Saúde nem pela Câmara de Vereadores. Se passou, foi na base do “puxadinho político”, calado e sem debate, porque aqui a transparência é artigo de luxo. A lógica é simples porque Lídio decide, Adriane assina, e a cidade engole em silêncio.

Para coordenar a aberração, surge Ivone Kanaan Nabhan Pelegrinelli, ex-secretária de Iguatemi, retirada do cargo após denúncias de nepotismo. Alguém que administrava cinco unidades de saúde agora terá que dar conta de uma capital inteira, detalhe ignorado em nome da conveniência política.

O resultado é a multiplicação de cargos para gente que já acumula funções em outras secretarias. Ou abandonam os postos anteriores, deixando rombos por onde passam, ou assumem dupla jornada, em um claro atropelo à boa administração pública. Afinal, quando a prioridade é proteger interesses de um grupo, pouco importa se a população paga a conta com filas, dor e até mortes.

E os vereadores? Todos mudos. Nenhum deputado estadual levanta a voz. O silêncio é ensurdecedor e mostra que a “base de apoio” de Lídio Lopes não está no campo das ideias, mas na coleira política que mantém tudo sob controle. A saúde da população, como sempre, é mero detalhe nesse enredo.

A suposta “solução” se transforma em um risco ainda maior. Se uma secretária de renome não conseguiu dar conta da crise, como acreditar que um comitê improvisado, cheio de apadrinhados e nomes sem experiência, vai resolver o caos que já está matando gente nas filas e deixando pacientes abandonados nos corredores?

Enquanto a população agoniza, a gestão prefere brincar de “faz de conta” com decretos e arranjos políticos. Um comitê sem legitimidade, sem respaldo legal e sem condições práticas de funcionar é o retrato fiel de uma administração que só existe para atender a interesses pessoais e familiares.

No fim das contas, Adriane Lopes se torna coadjuvante da própria gestão. Quem manda, quem escolhe e quem define é Lídio Lopes, transformando a prefeitura em extensão de seus interesses políticos. Campo Grande assiste, impotente, à saúde pública se tornar palco de disputas de poder, enquanto a lei e a população são ignoradas.

Se havia esperança de mudança, ela foi enterrada junto com a criação desse comitê. A capital não ganhou gestão, ganhou uma aberração institucional, um laboratório de improvisos onde a vida do cidadão comum vale menos que a vontade do casal que comanda a cidade. E assim a saúde pública segue, não rumo à cura, mas ao colapso.

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