
Depois de mandar comissionados atacarem qualquer crítica nas redes sob o risco de perderem o emprego, a prefeita Adriane Lopes agora avançou para a fase dois do projeto da fantasia. A nova ordem é simples e autoritária. Comentário negativo não pode existir. Reclamação deve evaporar. Indignação precisa desaparecer. Tudo para manter a ilusão de que a cidade vive em plena harmonia enquanto a vida real insiste em lembrar o contrário.
Fontes relatam que a regra é clara. Questionou a saúde? Some. Perguntou da segurança? Some. Cobrou obra no bairro? Some. Comentou sobre buracos, falta de médicos, contratos duvidosos ou escândalos recentes? Some também. Não há espaço para a realidade na versão digital que Adriane quer vender.
O protocolo de limpeza teria começado em junho, logo após a repercussão desastrosa da entrevista do ex-prefeito Marquinhos Trad, que fez a gestão perder o controle da narrativa. A resposta da prefeita foi digna de quem confunde administração pública com produção cinematográfica. Se a história não agrada, reescreve. Se o público reclama, bloqueia. Se a verdade incomoda, deleta.
A política de apagar comentários virou rotina. Funcionários comissionados, muitos deles constrangidos com a ordem, relatam que não têm opção. Se não colaborarem com a faxina digital, perdem o cargo. A liderança que adora falar em fé, família e diálogo mostra, nos bastidores, que prefere censura, coerção e mentira.
Os servidores relatam que a prática virou um jogo perverso. A cada notificação, corre-se para apagar críticas antes que a prefeita ou a equipe de comunicação identifique “falhas” na limpeza. A prioridade não é resolver problema algum, mas esconder todos.
O curioso é que, quanto mais a prefeita tenta fabricar um mundo perfeito no Instagram e no Facebook, mais evidente fica o abismo entre as telas e as ruas. Enquanto o feed ostenta sorrisos e frases motivacionais, a população enfrenta filas na saúde, insegurança crescente e bairros abandonados.
A operação de blindagem revela não apenas insegurança política, mas uma incapacidade profunda de lidar com a crítica — qualidade essencial em qualquer gestor público que viva no século XXI. A prefeita parece preferir viver no espelho do próprio marketing, onde tudo é lindo e ninguém ousa discordar.
A tentativa de apagar comentários não apaga a frustração da população. Pelo contrário, potencializa. Quem se vê silenciado nas redes sociais percebe de imediato o desprezo da gestão pelo diálogo e pela transparência. É a confissão pública de que a realidade é ruim demais para ser mostrada.
O resultado é um governo que se esconde atrás de filtros, slogans, mentiras e censura digital. Uma liderança que prefere varrer críticas para baixo do tapete a enfrentar os problemas da cidade. Uma administração que troca prestação de serviço por manipulação de narrativa.
Se a prefeita acredita que tapar o sol com a peneira digital vai resolver a crise de imagem, talvez falte a ela algo maior do que curtidas. Falta coragem e competência para governar uma Campo Grande de verdade, não a versão retocada que ela tenta desesperadamente vender aos eleitores.