
Campo Grande vive dias de abandono e desordem que envergonham qualquer cidadão que ainda tenta acreditar em gestão pública. A cidade parece entregue à própria sorte enquanto a prefeita Adriane Lopes se perde em erros, descasos e trapalhadas administrativas.
A capital sul-mato-grossense virou sinônimo de apagão nos serviços básicos. Falta médico nos postos, a Santa Casa está em colapso, o transporte público continua caro e precário e até as obras mais simples se arrastam como se fossem desafios impossíveis. Não há planejamento, não há transparência e, sobretudo, não há comando.
O pior é que a população assiste a este espetáculo de horrores praticamente sozinha. A Câmara Municipal, que deveria ser o braço fiscalizador da sociedade, permanece em silêncio sepulcral. Os vereadores, em vez de cobrarem soluções firmes, preferem posar para fotos em inaugurações de praças e discursar em sessões vazias.
Essa omissão legislativa não é apenas covardia, é cumplicidade. Quando os representantes do povo se recusam a cobrar e fiscalizar, eles se tornam sócios da desordem. A conivência transforma erros da prefeita em um problema coletivo, pois consolida a sensação de impunidade dentro da própria máquina pública.
Enquanto a cidade desmorona, a Câmara escolhe o papel de plateia, rindo de piadas internas e aprovando projetos irrelevantes. O barulho da indignação popular não ecoa no plenário, onde reina a conveniência política. O preço pago é o sofrimento diário da população.
O caos não é exagero. São hospitais sem recursos, escolas com infraestrutura precária, bairros esquecidos e vias públicas que mais parecem armadilhas para motoristas e pedestres. Campo Grande deixou de ser administrada para se tornar alvo de improvisos, e o Legislativo, por inércia, assina embaixo.
O colapso administrativo expõe ainda a fragilidade de uma cidade que deveria ser referência regional. Em vez disso, coleciona escândalos, processos e decisões judiciais que escancaram a incapacidade da gestão em resolver problemas básicos.
Cada decisão protelada ou ordem judicial descumprida reforça a imagem de um Executivo desgovernado e de um Legislativo de joelhos. Não há oposição forte, não há debate vigoroso, apenas silêncio conveniente e olhares voltados para a próxima eleição.
Campo Grande, que deveria ser vitrine de desenvolvimento, se transformou em exemplo de como a soma de incompetência no Executivo e omissão no Legislativo pode arrastar uma capital inteira para a ladeira do descrédito.
O futuro que se desenha não é apenas incerto, é sombrio. Se nada mudar, a cidade continuará ladeira abaixo, engolida pelo descaso de quem governa e pela conivência de quem deveria fiscalizar.