
O coração de Campo Grande, que um dia pulsou com o comércio vibrante e a presença constante de consumidores, hoje bate fraco, sufocado pelo abandono e pela omissão do poder público. Andar pelo centro virou teste de resistência: lixo acumulado, sujeira que salta aos olhos, odor insuportável e a sensação permanente de insegurança afugentam quem antes circulava tranquilamente pela região.
Os antigos frequentadores já não se arriscam. O cenário que encontram é de ruas tomadas por moradores de rua e usuários de drogas, calçadas improvisadas como dormitórios e praças transformadas em pontos de degradação. A principal delas, ao lado da histórica Morada dos Baís, é o retrato fiel desse abandono: pichada, destruída, sem iluminação adequada e usada como abrigo improvisado para quem a cidade resolveu simplesmente esquecer.
A degradação não se limita à estética ou à higiene, ela é um convite à criminalidade e um recado claro de que, ali, o poder público não está presente de verdade. E se não está, é por escolha. A prefeita Adriane Lopes teve a oportunidade perfeita para agir e instalar a base da Guarda Civil Metropolitana ao lado da praça, ocupando e protegendo o espaço, devolvendo segurança e dignidade ao local.
Mas não. Em vez de resolver o problema, preferiu seguir o roteiro de seu time de marketing. A base móvel foi instalada não onde se faz necessária, mas em frente à Morada dos Baís, na Avenida Afonso Pena, ponto estratégico para fotos e vídeos que passam a falsa impressão de ação e eficiência.
O resultado é um engodo visual. Quem passa de carro vê a viatura estacionada, os agentes uniformizados e imagina que o centro está sob controle. Mal sabe que, a poucos metros dali, a realidade é outra — dura, feia e ignorada.
Enquanto isso, comerciantes do entorno acumulam prejuízos, desestimulados pela queda no movimento. Consumidores preferem migrar para shoppings e centros comerciais mais afastados, onde a segurança e a limpeza não são apenas peças de propaganda.
Moradores e trabalhadores da região denunciam o que qualquer um que ande por lá já sabe: falta de policiamento efetivo, ausência de políticas sociais para reinserção de moradores de rua e descaso com a manutenção dos espaços públicos.
O abandono da praça e a ocupação irregular de suas áreas são sintomas de uma doença mais grave, quepe a falta de gestão estratégica. Ao priorizar a vitrine em vez do serviço efetivo, a prefeitura escolhe viver de imagem, e não de resultado.
Campo Grande não precisa de encenações para turistas e eleitores distraídos, precisa de ações concretas que devolvam vida e segurança ao centro. E isso começa com presença real, planejamento e coragem política para enfrentar problemas que não cabem em campanhas publicitárias.
Por enquanto, o centro continua entregue à própria sorte. E a população, cada vez mais distante, observa de longe o espetáculo de marketing que substituiu o governo de verdade.
