
Por Ana Flávia Barbosa Pelicho – Jornalista.
O centro de Campo Grande e alguns bairros da capital vivem hoje um retrato preocupante que reflete não apenas questões sociais complexas, mas também a ausência de planejamento urbano eficaz. O aumento de pessoas em situação de rua, muitas delas enfrentando a dependência química, somado ao número crescente de lojas fechadas e imóveis abandonados, evidencia um cenário que exige mais do que medidas paliativas.
Ao percorrer as ruas centrais, torna-se evidente a degradação progressiva do espaço urbano.
Calçadas ocupadas, fachadas deterioradas e pontos comerciais desativados revelam o enfraquecimento da atividade econômica local e contribuem para a sensação de insegurança. Trata-se de um ciclo que se retroalimenta: menos movimento gera mais abandono, e o abandono afasta ainda mais a população.
A questão dos moradores em situação de rua não pode ser tratada apenas sob a ótica da remoção. É necessário compreender que se trata de um problema social profundo, que envolve saúde pública, assistência social e políticas de inclusão. A responsabilidade pela condução de soluções estruturadas é, sobretudo, do poder público municipal, com apoio de outras esferas governamentais.
É urgente a implementação de um plano integrado que contemple acolhimento digno, com abrigos estruturados, acesso a tratamento para dependência química e acompanhamento contínuo.
Paralelamente, é fundamental investir em programas de qualificação profissional e criação de oportunidades reais de inserção no mercado de trabalho, permitindo que essas pessoas reconstruam suas trajetórias com autonomia.
Outro ponto que não pode ser ignorado é a infraestrutura urbana. Os buracos nas vias públicas têm se tornado um problema recorrente, causando prejuízos a motoristas e aumentando o risco de acidentes. A falta de manutenção adequada reforça a percepção de descuido com a cidade e impacta diretamente a mobilidade e a segurança.
Diante desse contexto, fica evidente que soluções isoladas não serão suficientes. É preciso planejamento estratégico, investimento contínuo e, principalmente, vontade política para enfrentar os desafios de forma responsável e humanizada.
O centro de Campo Grande, em especial, precisa voltar a ser um espaço de convivência, desenvolvimento e segurança. Para isso, é indispensável que o poder público assuma seu papel de forma efetiva, promovendo políticas públicas que atendam tanto às necessidades sociais quanto à revitalização urbana.