Campo Grande perde fôlego com previsão orçamentária abaixo da inflação

A prefeita Adriane Lopes conseguiu mais uma façanha para a coleção de contradições de sua gestão. Ao entregar a Lei Orçamentária Anual para 2026, a chefe do Executivo anunciou um crescimento de 1,49% na receita do município. Isso em uma cidade que ostenta números grandiosos em arrecadação, comércio pujante e investimentos imobiliários bilionários. O detalhe é que a inflação dos últimos doze meses foi de 5,1%, ou seja, Campo Grande ficará mais pobre no papel, oficialmente encolhendo sua capacidade de investir.

A capital sul-mato-grossense, com toda a sua dimensão, riqueza e potencial, terá um orçamento que parece de cidade em crise terminal. Saltar de 6,87 bilhões para 6,97 bilhões soa até como piada diante de tantos anúncios de novos empreendimentos, crescimento do setor imobiliário e expansão de negócios. A matemática da prefeita simplesmente não bate com a realidade da cidade que se vê nas ruas.

Adriane insiste em chamar isso de “plano de equilíbrio fiscal”. Traduzindo, significa cortar, encolher e se esconder atrás da sombra da Reforma Tributária que nem sequer entrou em vigor. É um discurso de cautela que, na prática, soa mais como medo e incapacidade de gerir uma Capital que deveria estar crescendo a passos largos.

Enquanto a cidade atrai novos investimentos privados, a gestão municipal prefere desacelerar e mirar no retrovisor. O contraste é gritante. O momento da economia local é de expansão, mas o orçamento municipal é de retração. O discurso não casa com os fatos e a população é quem sente os efeitos dessa paralisia travestida de prudência.

Também convenhamos que citar as incertezas da Reforma Tributária soa como desculpa para mascarar a falta de planejamento e criatividade da gestão. Afinal, uma cidade do porte de Campo Grande não pode se dar ao luxo de ter medo de crescer.

A secretária de Finanças repetiu o mantra de sempre, dizendo que para reduzir o índice de gasto com pessoal é preciso aumentar receita e diminuir despesa. Descoberta revolucionária. O problema é que a própria prefeita não consegue apresentar resultados concretos de economia com os decretos de cortes, preferindo empurrar as respostas com a barriga.

A retórica de Adriane fala em reinvestir na cidade, mas os números falam em encolher. A contradição é tamanha que chega a ser cômica. O empresariado vê oportunidades, novos prédios surgem em cada esquina, mas a prefeitura prevê crescimento menor que a inflação. Quem está fora da realidade é a gestão, não a cidade.

Parece que enquanto Campo Grande tenta caminhar para frente, a prefeita puxa o freio de mão e empurra o município para trás. E ainda tenta vender essa estagnação como equilíbrio. Equilíbrio para quem, afinal? Certamente não para a população que precisa de serviços públicos dignos e investimentos que acompanhem a pujança econômica da Capital.

Se com tanto potencial a receita prevista mal cobre a inflação, o que esperar dos próximos anos? Adriane Lopes conseguiu a proeza de transformar a Capital mais promissora do Centro-Oeste em um orçamento que encolhe diante do custo de vida. Essa é a herança de uma gestão que afundou Campo Grande na sua própria mediocridade.

No fim, a pergunta que fica é inevitável. Como uma cidade do tamanho e da grandeza de Campo Grande consegue ter um orçamento menor que a inflação enquanto cresce aos olhos de todos? A resposta é simples e amarga. Com uma prefeita que insiste em afundar a Capital, até o impossível virou rotina.

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