Campo Grande paga a conta da incompetência

O deputado estadual Pedrossian Neto jogou luz sobre o que a Prefeitura de Campo Grande preferia manter nas sombras. Segundo ele, a gestão Adriane Lopes está atolada em dificuldades financeiras não por perseguição política, mas por pura e simples incompetência. E a prova está em um escândalo que mistura descaso, insensibilidade e irresponsabilidade com dinheiro público.

De acordo com Pedrossian, a prefeitura terá de devolver cerca de R$ 800 mil ao governo federal. O motivo é vergonhoso: o recurso, destinado a políticas de combate ao feminicídio e à violência doméstica, simplesmente não foi utilizado. Em uma capital onde mulheres continuam sendo brutalmente assassinadas, o dinheiro que poderia salvar vidas ficou parado, e agora voltará aos cofres de Brasília.

“Mentira tem perna curta”, disse o deputado, ao rebater o esforço da administração municipal em esconder a razão pela qual Campo Grande está negativada e com dificuldade para receber repasses federais. A frase não é mero desabafo, é a tradução perfeita da gestão que insiste em vender eficiência enquanto coleciona fracassos administrativos.

Pedrossian fez questão de poupar quem merece respeito: a equipe da Casa da Mulher Brasileira e a própria Secretaria da Mulher, que segundo ele, têm realizado um trabalho extraordinário, apesar do abandono orçamentário. O problema, frisou, está nas decisões do Paço Municipal, onde reina a paralisia burocrática travestida de austeridade.

É simbólico que o dinheiro devolvido seja justamente o que deveria proteger mulheres vítimas de violência. A omissão da prefeita Adriane Lopes é mais do que um erro técnico, é um ato político que revela prioridades distorcidas. Enquanto a propaganda oficial se exibe em outdoors e redes sociais, a política pública que salva vidas é tratada como detalhe dispensável.

Não é a primeira vez que a prefeitura de Adriane tropeça na própria incapacidade de gestão. Mas devolver verba federal por não aplicá-la em uma das áreas mais sensíveis da sociedade ultrapassa qualquer limite de negligência. É o tipo de episódio que expõe o abismo entre o discurso da prefeita missionária e a prática da gestora desorientada.

O deputado chamou a situação pelo nome que ela merece: má gestão. E, como ele bem pontuou, não há perseguição nem invenção, há apenas fatos e planilhas que gritam o que muitos tentam calar. Campo Grande, mais uma vez, paga o preço da improvisação e da vaidade travestida de competência.

Enquanto Adriane posa para fotos e coleciona slogans, o município amarga a vergonha de estar negativado por não cumprir o mínimo que se espera de uma administração responsável, que é usar recursos públicos com propósito e eficiência. E se a desculpa da vez for “erro técnico”, o eleitor saberá identificar o padrão.

A devolução dos R$ 800 mil não é apenas um ato burocrático. É o retrato de uma gestão que falhou onde mais precisava agir. E como lembrou Pedrossian, em uma cidade marcada por casos brutais de feminicídio, deixar o dinheiro parado é quase tão cruel quanto os crimes que ele deveria ajudar a prevenir.

Campo Grande vive, nas palavras do deputado, o “maior apagão administrativo de sua história”. E o pior é perceber que a escuridão não vem da falta de luz, mas da ausência de vontade política de enxergar a realidade.

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