Adriane torra dinheiro até com ambulâncias

Adriane Lopes conseguiu transformar ambulâncias novas em mais um retrato do desperdício de dinheiro público em Campo Grande. Mesmo após receber veículos do Ministério da Saúde para renovar a frota do SAMU, a prefeita manteve o aluguel de cinco ambulâncias ao custo de até R$ 857 mil por ano. É dinheiro suficiente para abastecer unidades de saúde, comprar medicamentos e aliviar parte do sofrimento da população, mas a gestão parece ter outras prioridades.

A Prefeitura já pagou R$ 2,6 milhões à empresa mineira responsável pela locação nos últimos três anos. Caso liquide todos os valores empenhados neste ano, a conta poderá superar R$ 3 milhões. Cada ambulância alugada custa aproximadamente R$ 14,2 mil por mês aos cofres públicos, enquanto veículos novos enviados pelo Governo Federal chegaram a permanecer parados no pátio. 

O desperdício é ainda mais revoltante porque Adriane havia usado justamente o encerramento da locação como argumento para alterar a finalidade das ambulâncias doadas. A gestão pediu autorização para empregá-las na renovação da frota, em vez de ampliar o serviço, alegando falta de recursos para contratar equipes e prometendo economia com o fim dos aluguéis. Conseguiu o aval e depois fez exatamente o contrário.

Quando chegou o momento de cumprir o que havia anunciado, a Prefeitura renovou o contrato. A justificativa utilizada para convencer o Conselho Municipal de Saúde foi abandonada assim que produziu o resultado pretendido. Não se trata apenas de contradição administrativa. Trata-se de uma gestão que muda o discurso conforme a conveniência e trata instituições fiscalizadoras como simples obstáculos burocráticos.

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que as ambulâncias alugadas formam uma frota de apoio e são necessárias para garantir a continuidade do atendimento. A explicação, porém, não responde ao ponto central. Se essa necessidade já existia, por que a própria administração prometeu encerrar a locação para obter autorização do Conselho? Ou faltou planejamento antes, ou falta transparência agora. Em qualquer hipótese, sobra incompetência.

O caso expõe um padrão alarmante da administração Adriane Lopes. Primeiro, veículos novos ficam parados enquanto a população paga aluguel. Depois, a prefeita afirma que substituirá as ambulâncias locadas e economizará recursos. Por fim, mantém o contrato milionário e apresenta uma nova justificativa. O dinheiro público vai embora enquanto as versões oficiais se multiplicam.

A incoerência fica ainda mais escandalosa diante da situação da saúde municipal. Falta dinheiro para medicamentos básicos, exames, profissionais e manutenção das unidades, mas não faltam recursos para preservar um contrato com uma empresa de outro estado. Para o cidadão que procura atendimento, há escassez. Para determinadas despesas, o caixa municipal parece milagrosamente generoso.

Uma gestora responsável teria planejado a incorporação dos veículos doados, organizado a reserva técnica e apresentado números que comprovassem a real necessidade de manter os aluguéis. Adriane preferiu deixar ambulâncias paradas, suportar a pressão de parlamentares, vereadores, conselhos e órgãos de controle e, depois de tudo isso, renovar o contrato que prometera encerrar.

O Conselho Municipal de Saúde cobra uma resposta simples sobre o que mudou entre a promessa de economia e a decisão de continuar pagando. A Prefeitura deve apresentar estudos técnicos, cálculos e documentos que demonstrem a vantagem econômica da renovação. Expressões vagas como planejamento e necessidade operacional não bastam para justificar quase R$ 900 mil por ano saindo do bolso do contribuinte.

Adriane Lopes administra Campo Grande como se dinheiro público não tivesse dono nem destino mais urgente. A prefeita recebeu ambulâncias novas, manteve veículos alugados e entregou à população uma conta milionária cercada de contradições. Péssima gestão não é apenas deixar de fazer. É também gastar muito, planejar mal e tentar convencer a cidade de que desperdício é cuidado.

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