Campo Grande não aguenta mais e exige: “Fora, Adriane!”

Os campo-grandenses decidiram se levantar de vez contra a gestão caótica que instalou no município um ambiente de revolta, indignação e tristeza. De servidores públicos desvalorizados – os da saúde e da guarda metropolitana, por exemplo – aos passageiros do transporte coletivo e moradores das sete regiões urbanas duramente castigadas pelas chuvas, começam a surgir e a se expandir mobilizações para pressionar a prefeita Adriane Lopes (PP).

Um dos setores mais prejudicados pelo desgoverno é o da Saúde. Além da falta de medicamentos básicos, do corte de plantões médicos e da inexistência de frota própria para transporte de pacientes, agora até os odontólogos ergueram sua voz contra o descaso da prefeita. Ela não cumpriu a ordem judicial para publicar o reposicionamento do plano de cargos e carreira, aprofundando o problema do desmonte salarial desta categoria.

Os odontologistas, desrespeitados pela prefeita: uma greve justa e inevitável.    

Em consequência, no sábado (15/11), os odontologistas decidiram entrar em greve por tempo indeterminado na rede municipal de saúde. E não é só pelo plano de cargos, pelos três anos sem reajuste salarial ou condições de trabalho precarizadas. Conta também os problemas que esses profissionais sofrem com a falta de estrutura, em postos que não têm desde algodão e luvas a compressores em estado de uso.

Curioso, e cruel, é que a prefeita não recompõe o salário desta categoria, mas para ela, a vice-prefeita Camila Nascimento e secretários foi consignado um reajuste de até 159% em três parcelas. O presidente do Sindicato dos Odontólogos, David Chadid, sustenta estar tomando os cuidados para que a greve não fira os limites legais. “A lei de greve nos ampara quando é para defender efetivamente os nossos direitos”, diz.

Com apitos, faixas e cartazes de “Fora Adriane” ou “Basta”, o grupo protestou contra as graves falhas na administração municipal.

Nas ruas

Com os serviços da rede pública de saúde a cada dia piores e abalados pelos prejuízos que as fortes chuvas provocaram numa cidade que não conhece quaisquer investimentos estruturantes, a população iniciou no final da semana uma mobilização de protesto, que deve se repetir. Foi a primeira manifestação de rua desse gênero, mas impactante e justo.

Com apitos, faixas e cartazes de “Fora Adriane” ou “Basta”, o grupo protestou contra as graves falhas na administração municipal. A insatisfação encampou de quase tudo, desde a folha secreta às mentiras de campanha, o fracasso das políticas públicas de saúde e educação e os critérios negacionistas e politicamente seletivos de uma prefeita que se recusa a estabelecer relação institucional com o governo federal porque o presidente é do PT.

Sem grandes aportes federais, que muitas vezes só se consegue mediante paciente e republicana articulação política, a prefeita sacrifica a cidade, trai seus eleitores, faz da sua palavra um instrumento de uso descartável e decepciona quem votou ou acreditou que a primeira mulher eleita para governar Campo Grande corresponderia à expectativa de um bem-aventurado empoderamento feminino.

Compartilhe
Notícias Relacionadas
© 2024 O Consumidor News
Desenvolvido por André Garcia - www.conffi.com.br