Campo Grande fecha 2025 afundada na rejeição e sob sucessão de crises

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A prefeita Adriane Lopes encerra 2025 colecionando números que nenhuma gestão gostaria de ostentar. Desta vez, pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência aponta que 70% dos campo-grandenses classificam sua administração como ruim ou péssima, enquanto 87% desaprovam a condução do governo municipal. Um recorde negativo que sintetiza um ano marcado por crises em série e ausência de respostas.

Os dados mostram que a prefeita chega ao fim do ano com pouco – ou nada – a comemorar. Apenas 8% da população considera a gestão boa ou ótima, enquanto 19% a avaliam como regular. Outros 3% não souberam ou preferiram não responder. No índice de aprovação, o cenário é igualmente desolador, com apenas 10% de apoio, número insuficiente até para sustentar discursos otimistas.

O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 20 de dezembro, ouvindo mil eleitores em todas as regiões da Capital, com margem de erro de 3% e intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela Rede Top FM e coincidiu com um dos episódios mais simbólicos do desgaste da gestão: a segunda greve mais longa da história do transporte coletivo de Campo Grande.

Durante a paralisação dos motoristas do Consórcio Guaicurus, cerca de 100 mil passageiros ficaram à mercê da própria sorte, sem ônibus para trabalhar, estudar ou acessar serviços básicos. A greve só foi encerrada após intervenção externa, quando o governo estadual antecipou mais de R$ 3,3 milhões para que as empresas quitassem salários atrasados de 1,1 mil trabalhadores.

O episódio expôs não apenas a fragilidade do sistema de transporte, mas também a incapacidade da prefeitura de mediar conflitos e garantir serviços essenciais sem recorrer a socorro político. O resultado foi mais um desgaste público, refletido diretamente nos índices de rejeição registrados pela pesquisa.

A deterioração da imagem da prefeita não é novidade. No levantamento anterior, divulgado em novembro, 66% dos moradores já classificavam a gestão como ruim ou péssima, enquanto 85% adesaprovavam. Em poucas semanas, os números pioraram, consolidando a trajetória descendente da popularidade.

Além do transporte, a Capital enfrenta uma sucessão de problemas que alimentam a insatisfação popular. Crise na saúde, falta de medicamentos, superlotação hospitalar, ruas esburacadas, aumento de impostos, servidores sem reajuste e obras paradas formam um pacote que ajuda a explicar a rejeição.

A tensão social transbordou para as ruas. A manifestação ocorrida durante a abertura oficial do Natal da Capital, no fim de novembro, terminou com agressões da Guarda Municipal contra manifestantes, em sua maioria mulheres, idosos e crianças com necessidades especiais. As imagens correram as redes sociais e ampliaram a percepção de uma gestão desconectada da realidade.

Para completar o cenário de instabilidade, decisões judiciais e pedidos de intervenção passaram a integrar a rotina administrativa. A Justiça determinou prazo para que a prefeitura intervenha no contrato de concessão do transporte coletivo, diante de indícios de má execução, enquanto o Ministério Público foi provocado a analisar a possibilidade de intervenção estadual na saúde.

Os dados da pesquisa ajudam a entender o sentimento predominante nas ruas. Para 36% dos entrevistados, o maior problema de Campo Grande é a saúde pública. Outros 22% apontam a greve do transporte coletivo, enquanto percentuais significativos citam corrupção, buracos nas ruas, falta de administração e até a necessidade de trocar a prefeita e seus secretários.

Ao fechar 2025 com novos recordes negativos, Adriane Lopes consolida um ano em que a rejeição deixou de ser ruído político para se tornar um dado estrutural. A pesquisa não apenas retrata o humor da população, mas evidencia o tamanho do desafio que a atual gestão parece incapaz de enfrentar.

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