
Financeiramente e a Secretária Márcia Hokama Sumiu
Apertem os cintos: o piloto sumiu
Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, vive uma lenta e dolorosa degradação dos seus serviços públicos essenciais. O colapso, antes anunciado, agora se confirma nas ruas, nos postos de saúde, nas escolas e na rotina dos cidadãos.
Saúde: o primeiro pilar a ruir
A saúde pública, um dos serviços mais sensíveis e indispensáveis, já se encontra em estado de falência operacional. Unidades superlotadas, pacientes sem atendimento, médicos ausentes, falta de medicamentos, atraso no repasse a Santa Casa e exames indisponíveis. A população, abandonada à própria sorte, sobrevive como pode diante de um sistema que já não oferece o mínimo.
Infraestrutura: o retrato do abandono
Não bastasse a crise na saúde, a cidade afunda literalmente em buracos, mato alto e obras abandonadas. A bica corrida, material improvisado e ineficiente, virou símbolo da gestão: uma tentativa malfeita de encobrir o inaceitável. Em várias regiões, o mato cresce a ponto de engolir calçadas, canteiros e até veículos. O cenário é de descaso e desgoverno.
Educação: agora, também parada
A mais recente tragédia do cotidiano campo-grandense vem da educação. O transporte escolar, serviço garantido por lei e sustentado inclusive por recursos federais, foi suspenso. Motivo? Falta de pagamento às empresas contratadas. Alunos ficaram sem aula. Pais, sem resposta. Professores, sem condições de trabalhar. Um direito constitucional violado diante da inércia do poder público.
O colapso é completo
O direito de ir e vir está comprometido pela infraestrutura falida. O direito à vida, pelo caos na saúde. O direito à educação, agora paralisado por falta de responsabilidade administrativa. A cidade parece viver sob o peso de uma gestão que ignora o básico, que abandona a população e que não entrega aquilo que é dever do Estado.
Se antes havia críticas à instabilidade política e administrativas de gestões passadas. “Saudades do Bernal”, diriam alguns com ironia, com frustração, mas principalmente com a certeza de que Campo Grande já teve dias melhores.
E onde está a secretária de Fazenda nesse caos todo?
Será que esteve em mais uma de suas viagens internacionais, como outrora foi denunciado, quando foi pega pelas redes sociais, fora do país correndo? Ou contraiu a síndrome respiratória, e foi parar nas unidades de saúde da capital, e estava até ontem em alguma fila da saúde? Quem sabe caiu em um dos inúmeros buracos espalhados pela cidade? Essa pergunta quem tem que responder é a prefeita Adriane Lopes: onde está ou estava, quem deveria estar ajudando a resolver os problemas da cidade? Mais uma vez, estava em outro país?
Vale lembrar que o último dia em que Márcia Hokama foi vista na Secretaria de Finanças foi 15 de maio, e ontem, finalmente, reapareceu embora sem esclarecimentos públicos até o momento.
Se estava de férias, vale lembrar que a secretária foi exonerada pelo Decreto “PE” nº 3.207, de 30 de dezembro de 2024, e renomeada pelo Decreto nº 5, de 2 de janeiro de 2025. Ou seja, com o vínculo anterior encerrado, ela só poderia ter direito a férias a partir de fevereiro de 2026.
Se estava em viagem nacional, basta solicitar informações aos órgãos competentes. Se estava fora do país, cabe requerer à Polícia Federal os registros de saída e entrada do território nacional. Se estava doente, que apresente o devido atestado afinal, há dias ela não é era vista na Secretaria de Fazenda. Como cobra ponto dos servidores de menor escalão, é justo que se verifiquem também seus registros de presença e ausência. Ou quem sabe esteja em alguma missão oficial. Aguardamos os esclarecimentos. E voltaremos ao assunto.
Afinal, Campo Grande não tem problemas, especialmente de ordem financeira. Tanto é que os responsáveis podem descansar tranquilos, mesmo com a cidade desmoronando sob seus pés.