
Reunião conduzida pelo presidente da Comissão de Saúde da Câmara da Capital Vitor Rocha. (Foto: Mylena Fraiha).
A Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal de Campo Grande se reuniu na manhã desta terça-feira (18/11) com o Comitê Gestor da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para analisar o desempenho dos primeiros meses do grupo responsável pela condução da saúde pública da Capital. O encontro, no entanto, terminou em forte insatisfação dos vereadores, que classificaram as explicações apresentadas como “vagas, inconsistentes” e incapazes de oferecer soluções para a crise que atinge o setor.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) foi a principal voz de oposição ao modelo atual. Para ela, o Comitê Gestor foi criado sem embasamento jurídico e não deveria estar operando.
“O Comitê Gestor não tem legalidade. Estamos suportando, numa área tão grave como a saúde, uma estrutura administrativa inventada pela prefeita e que não tem base legal”, afirmou.
Luiza destacou que já apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para sustar o decreto que instituiu o comitê, alegando que a administração opera “numa ilegalidade” justamente na secretaria que mais consome recursos públicos do município.
Vereadora critica justificativas sobre abastecimento de medicamentos
Outro ponto que gerou revolta foi a explicação dada pelo Comitê sobre o risco de desabastecimento de medicamentos no fim do ano.
Para Luiza, o argumento é inaceitável:
“Vou usar um termo que parece chulo, mas é quase uma conversa infantilizada. Isso não existe mais em lugar nenhum do mundo. Ninguém fica sem abastecimento porque as indústrias param no final do ano”, criticou.
Ela classificou as declarações como demonstração de despreparo.
“É lamentável ouvir um comitê formado de gente competente, mas que não tem nenhuma informação concreta para dar aos vereadores, quanto mais para a sociedade.”
Pressão por CPI aumenta
Diante do cenário apresentado, Luiza reforçou a necessidade de instalação de uma CPI da Saúde, que, segundo ela, é essencial para identificar responsabilidades e esclarecer irregularidades.
“A sociedade às vezes diz: ‘CPI não serve para nada’. Serve, sim. Serve para evidenciar problemas e identificar responsabilidades. Solução? Nenhuma à vista para as próximas semanas.”
O vereador Jean (PT) também demonstrou indignação após o encontro e disse sair ainda mais convicto da importância da CPI:
“Se antes eu já não tinha dúvidas de que precisávamos dessa CPI, hoje tenho ainda mais certeza. A reunião mostrou o desastre da gestão da saúde de Campo Grande.”
Jean criticou, ainda, a ausência da secretária Márcia Cama, que não compareceu ao encontro. Ele informou que a CPI já conta com seis assinaturas e que o número deve aumentar após a reunião desta terça-feira.
Entre os temas que devem integrar os fatos determinados da CPI, o parlamentar citou:
-uso do Fundo Municipal de Saúde para pagamento de pessoal;
-pagamento ao Consórcio Guaicurus com recursos do Fundo;
-inconsistências na Lei Orçamentária Anual (LOA);
-ambulâncias paradas;
-falta de medicamentos;
-atrasos e possíveis irregularidades com a Santa Casa;
-necessidade de auditoria no contrato com a instituição.
Segundo ele, a CPI deve começar a funcionar no início de 2026, devido ao encerramento do ano legislativo e à necessidade de estrutura técnica para a investigação.
MDB ainda discute posição
O vereador Dr. Jamal (MDB) adotou postura mais moderada, evitando aprofundar críticas sobre a gestão da Sesau. Ele afirmou apoiar pessoalmente a prefeita, mas ressaltou que a sigla ainda discutirá qual posição adotará sobre a CPI.
“Eu não posso falar em nome do MDB porque não tivemos reunião, mas minha opinião pessoal é que ela tem todo o meu apoio”, disse. A reunião interna do partido deve ocorrer nas próximas semanas.

Câmara deve cobrar novas explicações antes do recesso
O encontro reforçou o clima de tensão entre vereadores e a equipe da Sesau, além de aumentar a pressão pela abertura da CPI. A Comissão Permanente de Saúde deve solicitar novas informações ao comitê e cobrar respostas mais detalhadas antes do recesso parlamentar.
A previsão é de que a formalização da investigação seja um dos primeiros atos da Câmara em 2026, caso o movimento atual se mantenha.