
Os ônibus só voltaram a circular em Campo Grande porque alguém resolveu trabalhar de verdade fora do Paço Municipal. Após quatro dias de paralisação, caos urbano e prejuízos incalculáveis para a população, o fim da greve do transporte coletivo foi resultado direto da articulação da Câmara Municipal, enquanto a prefeita Adriane Lopes assistia à cidade parar para depois tentar posar de protagonista nas redes sociais.
Coube ao presidente da Câmara, vereador Papy, assumir a responsabilidade que o Executivo abandonou. Foi ele quem buscou diálogo, chamou as partes à mesa e atuou diretamente junto ao governador Eduardo Riedel para viabilizar a antecipação de recursos do passe estudantil, algo que a prefeitura não conseguiu ou sequer tentou.
A participação do governador Riedel foi decisiva e exemplar. Mesmo sem obrigação legal imediata, o chefe do Executivo estadual mostrou sensibilidade institucional, ouviu as demandas apresentadas pela Câmara e autorizou a antecipação de quase R$ 4 milhões, destravando o pagamento dos salários e do décimo terceiro dos motoristas. Liderança se mede na crise, e Riedel demonstrou isso com clareza.
Enquanto vereadores negociavam, mediavam e construíam a solução dentro da Câmara Municipal, a prefeita só apareceu quando tudo já estava encaminhado. Limitou-se ao papel burocrático de formalizar um ofício e, horas depois, gravar vídeo tentando assumir o mérito de um acordo que não construiu. Campo Grande conhece bem esse roteiro.
No discurso público, Adriane agradeceu ao governador, mas ignorou solenemente o trabalho do Legislativo municipal. Nenhuma menção ao presidente Papy, ao vereador Carlão, nem aos demais parlamentares que participaram ativamente das reuniões, ouviram trabalhadores e garantiram que a cidade não continuasse refém da paralisação.
Carlão, assim como outros vereadores, teve atuação direta nas tratativas, reforçando o papel da Câmara como ponte institucional entre trabalhadores, Governo do Estado e Prefeitura. Foi no Legislativo que o diálogo avançou, que o sindicato foi ouvido e que a solução ganhou forma concreta, longe do improviso e da retórica vazia.
A reunião realizada na Câmara Municipal selou o entendimento que permitiu o retorno gradativo dos ônibus ainda na quinta-feira, com normalização total prevista para hoje. O próprio sindicato reconheceu que a mediação feita pelos vereadores foi fundamental para garantir o pagamento e encerrar a greve.
A fala de Papy resume bem o episódio. A Câmara não agiu por vaidade política, mas por compromisso com a população que ficou sem transporte e com trabalhadores que estavam sem salário às vésperas do Natal. Foi uma atuação firme, direta e responsável, algo que fez falta no comando do Executivo.
O contraste entre os poderes é inevitável. De um lado, um governador que age com equilíbrio e cooperação institucional. De outro, um Legislativo que assumiu o protagonismo quando a cidade precisava. No meio, uma prefeita que não assume erros, não lidera soluções e insiste em disputar narrativa em vez de resolver problemas.
Se dependesse exclusivamente de Adriane Lopes, Campo Grande continuaria parada no ponto, esperando um ônibus que não chega e uma gestão que não anda. Felizmente, a Câmara Municipal e o Governo do Estado decidiram puxar a cidade para frente, provando que, quando há liderança e diálogo, o transporte anda, mesmo quando a prefeita insiste em ficar no lugar.