
As declarações da vereadora Luiza Ribeiro jogam luz sobre uma contradição difícil de explicar. Campo Grande arrecadou quase R$ 8 bilhões em tributos em 2025, um volume que colocaria qualquer capital em posição confortável para planejar, executar e manter políticas públicas básicas. Ainda assim, o cenário vivido pela população é de abandono, desprezo e desrespeito.
A lista de problemas é conhecida e repetida à exaustão, justamente porque não se resolve. Falta remédio nos postos, não há vagas hospitalares suficientes, ruas esburacadas viraram paisagem permanente e servidores convivem com redução salarial. Tudo isso em uma cidade que nada em arrecadação, mas afunda em gestão.
Diante desse quadro, a opção da prefeita Adriane Lopes foi tentar arrecadar ainda mais. O aumento do IPTU e da taxa de lixo não veio como simples reposição inflacionária, mas como uma majoração disfarçada, que atingiu mais de 60% dos imóveis da Capital, segundo levantamento apontado pela vereadora.
Luiza Ribeiro afirma que estudou profundamente a base de cálculo utilizada e identificou o que chamou de truque administrativo. A prefeita teria usado, no fim do ano, um estudo elaborado para 2026 como base de cálculo para cobrança imediata, alterando valores sem a devida autorização da Câmara Municipal.
O detalhe não é técnico, é político e legal. Qualquer mudança na base de cálculo de tributos exige aprovação do Legislativo. Ignorar esse rito não é ousadia administrativa, é atropelo institucional que prejudica diretamente o contribuinte e compromete a legalidade da cobrança.
Ao denunciar a manobra, a vereadora não apenas questiona o aumento, mas expõe um método de governar que aposta no cansaço da população e na complexidade dos números para empurrar decisões sem debate. A conta chega rápido, mas a explicação nunca vem na mesma velocidade.
A crítica também se estende ao apoio político que tenta blindar a prefeita. Para Luiza, não adianta bênção externa ou discurso de que está tudo certo. Campo Grande não pode ser tratada como laboratório de improvisos fiscais enquanto serviços básicos continuam em colapso.
Diante do volume de recursos arrecadados e da falta de resultados visíveis, cresce a necessidade de apuração rigorosa. Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas e demais órgãos fiscalizadores precisam ir além das notas técnicas e aprofundar a investigação sobre a aplicação do dinheiro público na Capital.
Segundo a vereadora, é dinheiro demais escorrendo pelo ralo para ninguém saber exatamente onde está sendo aplicado. Quando a arrecadação bate recordes e a cidade piora, a suspeita deixa de ser política e passa a ser institucional.
A expectativa agora se volta para os parlamentaresque trabalham para corrigir as distorções da taxa de lixo que impactam diretamente o IPTU. Mais do que ajustar números, o debate expõe algo maior: Campo Grande precisa de trabalho, transparência, honestidade e respeito, valores que não se arrecadam por decreto, mas se constroem com gestão responsável e fiscalização severa.