Bandidos imaginários e violência contra mães desmentem ficção de Adriane

A prefeita Adriane Lopes decidiu inaugurar o Natal de Campo Grande com uma história tão fantasiosa que faria inveja a qualquer roteirista de novela. Segundo ela, o que todo mundo viu como um protesto pacífico de mães atípicas, idosos, servidores e cidadãos comuns foi, na verdade, um sofisticado ataque coordenado por Marquinhos Trad e Rose Modesto, que teriam contratado “bandidos armados com mais de 50 passagens pela polícia” e os enviado de ônibus para destruir o brilho da festa infantil. Na versão da prefeita, a Guarda Civil Metropolitana virou guardiã do espírito natalino, e a violência captada em vídeo contra mulheres teria sido apenas um pequeno detalhe irrelevante diante do espetáculo de luzes.

Do palco, a prefeita disse que não viu nada, que estava ocupada demais “junto com as famílias” na alegria constante do evento. O problema é que, do chão, onde uma mãe atípica foi empurrada e uma idosa foi agredida, a visão era bem diferente. O que Adriane chama de ataque coordenado, quem estava no local chamou de repressão desnecessária e covarde. Enquanto isso, a prefeita insistiu em tratar manifestantes como mercenários profissionais a serviço da oposição, reduzindo mães em luta por direitos básicos a figurantes de uma narrativa eleitoral.

Marquinhos Trad não deixou a ficção passar em branco. Acusado de contratar bandidos, ele pediu provas. A prefeita, naturalmente, não apresentou nenhuma. O vereador também expôs a contradição gritante no discurso da prefeita. Segundo ela, os detidos estavam armados. Mas então como explicar um termo circunstanciado de ocorrência, que só é lavrado em casos de menor potencial ofensivo e jamais para pessoas portando armas brancas? A resposta é simples. A realidade não cabe na narrativa criada para justificar o injustificável.

O parlamentar foi direto ao ponto. Chamou a acusação de vazia, denunciou a tentativa da prefeita de fugir às próprias responsabilidades e lembrou das agressões filmadas. Ele não precisou inventar inimigos. Bastou perguntar como uma administração que empurra mulheres ao chão ousa falar em proteção de famílias. E prometeu processar a prefeita, oferecendo ainda apoio jurídico a todos que foram chamados de bandidos sem qualquer prova.

Nem mesmo a Câmara Municipal engoliu a história heroica da prefeita. O presidente da Casa, vereador Papy, afirmou que faltou preparo, faltou controle e sobrou violência. Disse que o secretário de Segurança deve ser investigado e questionou se ele estava ali como gestor ou como policial amador improvisado. Segundo ele, a manifestação era pequena, pacífica e fácil de controlar sem pancadaria. E, ao contrário do que a prefeita insiste em repetir, o problema começou na ação de sua própria guarda, não em criaturas mitológicas desembarcadas de ônibus.

Papy foi claro. A Câmara vai discutir o episódio e o secretário deve ser convocado. Já Marquinhos foi além e afirmou que, pelo que viu até agora, a ordem partiu da própria prefeita. Não há dificuldade em acreditar nisso. Desde

que a história começou, Adriane fez de tudo para responsabilizar terceiros e escapar da imagem de uma gestora que autoriza violência contra mulheres.

Sem dúvida, as vítimas são mães que lutam por fraldas, idosos que pedem dignidade e professores que tentam exercer cidadania. A prefeita os transformou em bandidos, vândalos e cúmplices de uma conspiração digna de ficção barata. A cidade, porém, viu os vídeos. Viu quem agrediu. Viu quem caiu no asfalto. Viu quem mentiu.

E viu, sobretudo, uma prefeita mais preocupada em proteger sua própria narrativa do que as famílias que ela afirma defender. Entre a fantasia da prefeita e a realidade das mães empurradas, Campo Grande já escolheu em quem acreditar.

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