Após mudanças na gestão, caos toma conta do almoxarifado da saúde

Desde que Fausto Azevedo Tlaes  assumiu a gerência do almoxarifado da Secretaria Municipal de Saúde, o setor passou a acumular problemas que culminaram em um cenário de desorganização, desabastecimento e insegurança operacional. O agravamento da crise ocorre justamente em meio às discussões sobre terceirização, levantando questionamentos sobre quem realmente se beneficia do enfraquecimento de uma estrutura estratégica para a saúde pública de Campo Grande.

O que mais chama atenção é que o colapso não decorre da incapacidade operacional dos servidores. Pelo contrário. Profissionais que atuam diariamente no setor sustentam que a logística continuou funcionando apesar das dificuldades. Os problemas surgiram com mudanças administrativas adotadas pela nova gestão do almoxarifado, que contribuíram para um cenário de desorganização cada vez mais difícil de ignorar.

Servidores relatam que o ambiente passou a ser marcado por restrições de informações, insegurança institucional e enfraquecimento dos mecanismos internos de controle. Tudo isso teria ocorrido com o respaldo da Superintendência de Logística, comandada pelo pastor Sinério, e do secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela.

O resultado não demorou a aparecer. O almoxarifado passou a enfrentar um verdadeiro colapso operacional. Atrasos, desorganização, falhas de abastecimento e vencimento de atas de registro de preços passaram a comprometer o funcionamento de um dos setores mais importantes da rede municipal de saúde.

O mais grave é que algumas dessas atas já expiraram, colocando em risco a aquisição regular de materiais de consumo indispensáveis para o atendimento da população. Quando faltam insumos, quem paga a conta não é a burocracia da prefeitura, mas o cidadão que depende exclusivamente do SUS.

Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável. O caos é fruto apenas de má gestão ou foi convenientemente construído para justificar mudanças que antes encontravam resistência técnica e institucional?

A dúvida ganha força quando se observa que as discussões sobre terceirização voltaram a ocupar espaço dentro da administração municipal. Nos bastidores da saúde, cresce a percepção de que a deterioração do almoxarifado pode estar sendo utilizada como argumento para defender a entrega do setor à iniciativa privada.

A própria história recente reforça as suspeitas. Tentativas de terceirização já foram discutidas em períodos anteriores sob a influência do atual secretário Marcelo Vilela. Agora, diante de um setor enfraquecido e mergulhado em dificuldades e problemas, o discurso da terceirização reaparece com força renovada.

O roteiro é conhecido. Primeiro sucateia-se o serviço público. Depois aponta-se o caos criado como prova de que o modelo não funciona. Por fim, apresenta-se a terceirização como solução inevitável. O mesmo debate já ocorreu recentemente em relação às unidades de saúde administradas por Organizações Sociais, proposta que acabou rejeitada pela Câmara Municipal após forte reação do Conselho Municipal de Saúde.

Também circulam informações sobre possíveis articulações envolvendo futuros contratos com organizações sociais e outras formas de gestão terceirizada. Se confirmadas, essas movimentações exigem máxima atenção dos órgãos de controle para impedir favorecimentos indevidos e garantir transparência na aplicação dos recursos públicos.

A situação do almoxarifado deixou de ser apenas um problema administrativo. O que está em jogo é a própria capacidade da rede municipal de garantir medicamentos, materiais e insumos para a população. Por isso, cabe ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e aos demais órgãos fiscalizadores apurar com rigor se o caos observado é consequência de incompetência ou resultado de decisões que prepararam o terreno para mais uma terceirização milionária na saúde de Campo Grande.

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