
Se a Avenida Mato Grosso pudesse falar, provavelmente pediria socorro — e um capacete — para se proteger do festival de canos estourados que virou rotina entre as ruas Bahia e Espírito Santo. A cena é digna de novela mexicana: moradores indignados, buracos brotando no asfalto e nas calçadas, e caminhões da concessionária Águas Guariroba chegando para “resolver” o problema… só que não.
O motivo para tanto caos? Segundo denúncia recebida pelo Jornal O Consumidor News, a resposta é simples e preocupante: a pressão da água foi aumentada, mas os canos antigos não aguentam. Resultado? Tubulação arrebentada e um verdadeiro rali urbano para quem se arrisca a passar por ali.
Até aí já seria grave, mas a história piora. Fontes confiáveis afirmam que o aumento da pressão não é obra do acaso, mas porque a água nessa região não está passando pela central de tratamento. Ou seja, o líquido que chega à torneira das famílias pode estar vindo direto da fonte, e não estamos falando de uma fonte límpida de comercial de TV.
Enquanto isso, a Águas Guariroba parece ter se especializado na arte do remendo malfechado. Tapa o buraco de qualquer jeito, deixa o concreto mal nivelado, danifica calçadas e, de quebra, oferece um cenário de abandono digno de cartão-postal… do descaso.
O serviço é tão “caprichado” que, dias depois, o mesmo cano volta a estourar, como se quisesse provar que obra malfeita é igual promessa política: dura pouco. E o ciclo se repete, com custo zero para a concessionária e prejuízo máximo para os moradores.
A suposta falta de tratamento da água é, sem dúvida, o ponto mais alarmante da denúncia. Não se trata apenas de infraestrutura precária, mas de um risco direto à saúde pública. Afinal, consumir água sem o devido tratamento é abrir as portas para doenças e contaminações que deveriam estar extintas em pleno século 21.
É curioso notar que, na propaganda, a concessionária exibe imagens de rios cristalinos, famílias felizes e promessas de tecnologia de ponta. Mas na prática, o que se vê na Avenida Mato Grosso é um triste retrato de improviso, desleixo e, ao que tudo indica, de total falta de fiscalização.
E por falar em fiscalização, onde estão os órgãos competentes? Porque, se for para agir só depois de uma tragédia, a população já sabe o roteiro: coletiva de imprensa, nota oficial e nenhuma solução concreta.
Moradores relatam que, além do transtorno e da sujeira, ainda precisam conviver com o medo de que a água que bebem, cozinham e dão aos filhos não seja sequer potável. Uma angústia que não deveria existir quando se paga caro por um serviço que, em tese, deveria ser exemplar.
No fim, o caso da Avenida Mato Grosso expõe não apenas a fragilidade da rede de água, mas a fragilidade da relação entre concessionária e consumidor. Uma
relação que, se fosse medida pela qualidade do serviço, já estaria rompida há muito tempo, e com justa causa.