Adriane quer mudar lei de 93 para perdoar milionários e punir quem paga em dia

De acordo com o conceito de justiça fiscal da prefeita Adriane Lopes, quanto maior a dívida, maior o prêmio. No novo Refis, que já virou um vício administrativo, a gestora quer mudar uma lei de 1993 para negociar pessoalmente descontos com os grandes devedores, aqueles que devem acima de R$ 150 mil aos cofres públicos. A prefeita chama de “transação”. O contribuinte comum chama de perdão seletivo.

Desde que assumiu o comando da Prefeitura, Adriane criou uma rotina digna de calendário fixo: dois Refis por ano. Um no primeiro semestre, outro no segundo, e ambos com o mesmo enredo — desconto generoso de até 75% nos juros e correções para quem nunca pagou em dia. O bom pagador, claro, continua como figurante nessa história, pagando imposto cheio e assistindo o inadimplente ser premiado com tapete vermelho e parcelamento de luxo.

A cereja do bolo é o pedido de “carta branca” para negociar com os grandes devedores. A nova regra autoriza a prefeita a decidir, com base em seu próprio juízo de conveniência e oportunidade, quem merece o perdão milionário. Tudo sob o discurso do “interesse público”. Campo Grande, ao que parece, virou uma grande mesa de negociação privada, onde o interesse público se mede pelo tamanho da dívida.

Em sua gestão, Adriane trata a legislação como uma espécie de massa de modelar. Muda, estica, corta e adapta conforme o apetite do momento. Quando não é o Refis, é o reajuste de contratos milionários, a venda de áreas públicas ou o aumento de 66% no próprio salário. Enquanto isso, o servidor municipal segue com vencimentos congelados desde 2023, e os postos de saúde seguem lotados, sem médicos nem remédios.

A prefeita justifica a enxurrada de Refis como uma forma de “recuperar créditos e incentivar a adimplência”. Na prática, a cada novo perdão, o recado é o mesmo: quem paga em dia é bobo. O contribuinte que cumpre a lei vira otário, e o grande devedor, cliente preferencial.

Os vereadores, que já se acostumaram a aprovar tudo no piloto automático, começam a perceber o desgaste político da parceria cega com a prefeita. O problema é que a população já viu esse filme antes e a trama sempre termina com a Câmara carimbando o que Adriane manda, e a cidade arcando com a conta.

A ironia maior é que a prefeita usa o discurso da “responsabilidade fiscal” enquanto cria um sistema de anistias em série. Campo Grande, que mal consegue pagar o décimo terceiro de seus servidores, agora será palco de um novo espetáculo de benevolência institucional.

Adriane não governa, negocia. E faz da Prefeitura uma grande mesa de transações, onde o interesse público é cláusula decorativa e o contribuinte comum, mero espectador da farra tributária. Se o paraíso fiscal tivesse CEP, começaria na Rua Arthur Jorge.

Compartilhe
Notícias Relacionadas
© 2024 O Consumidor News
Desenvolvido por André Garcia - www.conffi.com.br