Adriane 50% x 0% servidores: tem buraco até na correção salarial

Adriane Lopes e Camila Nascimento: apetites invejáveis. (Reprodução Redes Sociais).

Em seu segundo mandato, iniciado no dia 1º de janeiro de 2025, a prefeita Adriane Lopes (PP) acumula uma correção salarial de 50%. Com semelhante generosidade, sua gestão engorda os holerites de um grupo de assessores privilegiados, entre os quais a vice-prefeita e secretária municipal de Assistência Social, Camilla Nascimento de Oliveira, e os secretários.

Na outra ponta da folha, os servidores que trabalham mas não tem o privilégio daqueles que rezam na cartilha da prefeita, foram “contemplados” pelo quarto ano consecutivo com 0% – isto mesmo: zero por cento – de correção.

Adriane tenta ocultar esta realidade, como ocorreu em fevereiro, porém a imprensa levantou o véu que cobria o relatório de pagamentos da prefeitura.

O portal “O Jacaré”, por exemplo, informou, com números, que os servidores tiveram 0% de reajuste pelo 4º ano consecutivo.

Adriane está no poder desde 2017 (era vice); virou prefeita em abril de 2022. E por meio de manobras, como a folha secreta e dribles na transparência, esconde certas informações, como os salários de fevereiro, quando teve aumento de até 34%, bem como os demais integrantes do primeiro escalão. O subsídio de fevereiro deveria ser divulgado em março, mas ainda não foi disponibilizado. O atraso passou dos 60 dias

Continua “O Jacaré”, acrescentando que, desde a posse no segundo mandato, o subsídio da prefeita da Capital acumula correção de 50%, pois saiu de R$ 21.268,62 para R$ 31.912,56.

Em contrapartida, os cerca de 30 mil funcionários públicos municipais estão sem reajuste linear desde 2023, ficaram sem a reposição da inflação em 2023, 2024, 2025 e agora, 2026.

O último reajuste aos servidores, de 10%, foi dado por Marquinhos Trad em duas parcelas (PV). 

Caixa forte

A grande ironia está na contradição vergonhosa de uma prefeita que alega dificuldade financeira para implantar política de justiça salarial e valorização dos servidores, sonega direitos trabalhistas previstos em lei, entretanto desperdiça recursos promovendo farra de contratações – só de pastores membros de seu segmento religioso ela nomeou 12 para cargos que não precisam de concurso público – e não mostra onde estão ou onde foram parar recursos como os R$ 156,7 milhões que deveriam estar à disposição do Fundo Municipal de Saúde e ganharam outros destinos.

Nos bairros ou na área central e até mesmo nos pontos mais valorizados de Campo Grande (MS), os buracos tomam conta do asfalto.

A cidade continua cheia de buracos. A situação continua caótica nos sistemas públicos de transporte e saúde. 

A prefeita foge da responsabilidade, tentando privatizar serviços de sua alçada, como a gestão das unidades de saúde, agora querendo até fechar as portas de 15 UPAS, os escândalos de assessores envolvidos em casos de abuso e de violência sexual, além da operação contra um esquema de desvio de verbas deflagrado contra um ex-secretário de Marquinhos Trad, que acabou tomando outros rumos ainda não bem explicados.

Vice-prefeita assume Campo Grande durante fórum internacional na Argentina

No entanto, para atender interesses ou necessidades extras, parece não faltar, como no caso dos ganhos da prefeita e da sua vice.

Conforme o portal “O Jacaré”, o subsídio de Adriane era de R$ 21.268, 62 até abril de 2025, quando teve o primeiro reajuste e foi para R$ 26.943,05. Neste ano, conforme a legislação municipal, ela foi contemplada com novo reajuste, de 18,44% e o salário passou para R$ 31.912,56.

Isso que a prefeita quer esconder ao não divulgar o valor no Portal da Transparência. A prefeita vai ter novo reajuste em fevereiro de 2027, quando o subsídio passará a ser de R$ 35.462,22, mesmo valor pago ao governador Eduardo Riedel (PP).

A vice-prefeita teve reajuste de 24,96% neste ano, quando o salário passou de R$ 22.345,53 para R$ 27.923,60. Aumento de 24,96%. Já os servidores municipais, que não recebem 10% do valor, estão com o salário congelado há quatro anos e sofrem com a perda do poder de compra.

Mais sorte ainda tiveram os secretários municipais. Neste ano, o subsídio do primeiro escalão teve aumento de 34%, com o valor passando de R$ 19.028,90 para R$ 25.511,95. Desde o ano passado, eles foram agraciados com reajuste de 119%, já que ganhavam R$ 11.619,70 até março de 2025.

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