
Campo Grande vai ferver nesta terça-feira. Moradores indignados prometem transformar a Câmara Municipal no epicentro da revolta popular contra a prefeita Adriane Lopes (PP) e o colapso da saúde pública. O protesto, convocado nas redes sociais, é o grito de uma cidade cansada de filas, de remédios em falta e de desculpas que já não convencem ninguém.
“A saúde mental e física de Campo Grande pede socorro” — o lema escolhido pelos organizadores diz tudo. O que começou como desabafo em grupos de WhatsApp virou um movimento espontâneo de indignação coletiva. Gente comum, sem bandeira partidária ou sindicato, resolveu tomar para si a tarefa que o poder público abandonou, que é cobrar respeito, exigir dignidade e denunciar o caos.
A servidora aposentada Rosangela da Silva Napoleão, uma das vozes à frente do ato, foi direta: “A Câmara precisa acordar. A maioria dos vereadores parece ter esquecido para que foi eleita”. O alvo principal é a prefeita Adriane Lopes, mas o silêncio cúmplice do Legislativo também entrou na mira dos manifestantes.
O protesto está marcado para as 8h desta terça-feira (11), em frente à Câmara Municipal. A expectativa é reunir pelo menos 200 pessoas, número simbólico para um movimento que nasceu sem apoio de sindicatos, partidos ou entidades. É o povo sozinho, e justamente por isso, mais forte. O sentimento é de revolta, não de cansaço. A paciência acabou junto com os medicamentos nas farmácias públicas.
A manifestação será o primeiro grande teste de fogo da prefeita desde que os números da pesquisa do Instituto Ranking Brasil revelaram o que todos já sabiam: 80% da população desaprova sua gestão. A insatisfação agora ganha corpo, voz e cartazes. E, pela primeira vez, sai do mundo virtual para ocupar as ruas.
Enquanto Adriane fala em “austeridade” e “equilíbrio fiscal”, a população enfrenta filas intermináveis por exames, desabastecimento nos postos e a precarização de um sistema que já colapsou. A prefeita reduziu horários de atendimento, congelou salários e terceirizou culpas. A conta chegou e é a população quem está pagando.
A revolta é legítima. O contraste entre o discurso e a prática é gritante. A prefeita que prometeu cuidar das pessoas agora governa de costas para elas. O discurso de fé virou desculpa, e a política de contenção se transformou em contenção de direitos.
Enquanto a cidade se afunda em buracos, falta remédio e sobra indignação, a Câmara prefere a confortável mudez de quem tem rabo preso e medo de desagradar. Os poucos vereadores que ainda ousam questionar viraram minoria em meio à complacência.
Nesta terça, o povo vai lembrar aos poderosos que paciência também tem limite. O barulho das vozes será a resposta de uma população que cansou de esperar, de sofrer e de fingir que está tudo bem.
Campo Grande vai às ruas por algo simples, mas que há muito tempo deixou de ser garantido: o direito de ser cuidada. Porque se a prefeitura não tem remédio, o povo ainda tem voz, e vai usá-la em alto e bom som.