
Rose Modesto tem razão ao afirmar que a sensação de quem percorre Campo Grande é de tristeza e desespero. A cidade está tomada por buracos, serviços públicos precários e uma sucessão de promessas que não encontram correspondência na realidade. O abandono passou a fazer parte da rotina de quem paga impostos e recebe descaso.
A análise feita por Rose como cidadã traduz o sentimento que domina os bairros. Não é preciso ocupar cargo público nem integrar a oposição para enxergar ruas destruídas, unidades de saúde sem o básico e uma administração incapaz de responder aos problemas mais urgentes. Basta sair do gabinete e caminhar pela cidade.
Quando Rose afirma que a gestão não consegue sequer tapar os buracos, ela toca na ferida mais visível da gestão Adriane Lopes. Há vias praticamente intransitáveis, crateras que danificam veículos e trechos que colocam motociclistas, ciclistas e pedestres em perigo diariamente. Não se trata de aparência urbana, mas de segurança e respeito à vida.
A declaração de que nem 30% dos buracos foram reparados expõe a distância entre a propaganda e aquilo que a população enfrenta. A chuva retornará e, com ela, os mesmos alagamentos, o asfalto desmanchado e o dinheiro público escorrendo por serviços improvisados. Sem planejamento e qualidade, tapar buraco vira apenas uma maquiagem cara e passageira.
Rose também acerta ao questionar quem responderá pelas vidas perdidas em acidentes provocados ou agravados pelas condições das ruas. Quando o poder público conhece o risco, recebe reclamações e permanece incapaz de agir, a omissão deixa de ser mero fracasso administrativo. A negligência cobra um preço que pode ser irreparável.
O quadro da saúde torna a indignação ainda maior. Como aceitar que uma área com orçamento superior a R$ 2 bilhões conviva com falta de dipirona, medicamentos básicos e insumos indispensáveis? O dinheiro existe, mas o atendimento continua falhando justamente onde a população mais precisa.
É inadmissível culpar apenas a chuva, os contratos antigos ou qualquer dificuldade burocrática. Governar exige planejamento, competência, prioridade e capacidade de execução. Quando os mesmos problemas se repetem durante anos, fica evidente que o caos não é fruto do acaso, mas consequência de uma gestão caótica e fracassada.
Rose também tem razão ao prever que a Prefeitura poderá acelerar os reparos por causa da eleição. A população já conhece essa velha encenação. As máquinas aparecem, a propaganda aumenta e algumas ruas recebem atenção emergencial, mas o abandono retorna assim que o interesse eleitoral desaparece. Campo Grande não precisa de obras de campanha.
A postura de Rose ao recusar apoio à prefeita Adriane Lopes, mesmo diante da aproximação partidária entre União Brasil e Progressistas, merece ser reconhecida. Aliança política não pode servir de desculpa para fechar os olhos diante de uma gestão reprovada nas ruas. Quem coloca a cidade acima das conveniências partidárias demonstra respeito ao cidadão.
Campo Grande chegou ao limite da tolerância. Não há orçamento bilionário, discurso ensaiado ou propaganda oficial capaz de esconder ruas destruídas, postos sem medicamentos e uma população exposta ao perigo. Rose Modesto apenas colocou em palavras a revolta que domina a cidade. Se a gestão não consegue assegurar nem o básico, perdeu não apenas o controle da máquina pública, mas também o direito de exigir paciência de quem já esperou, pagou e sofreu demais.