Gestão Adrianista se afoga a cada chuva que cai na Capital

“Agora, o solo está encharcado, choveu 360 milímetros, o que nós temos que fazer? Esperar passar esse período e recuperar os danos das chuvas, não tem o que fazer, está chovendo” (Adriane Lopes em coletiva ontem)

Assim como na primeira fase de poder como vice e depois prefeita (2021-24), na segunda, iniciada em 2025, Adriane Lopes (PP) também se revelou uma tapeação como gestora.

No ano passado, em várias ocasiões ela anunciou solução imediata para os graves problemas de manutenção da cidade.

Entrou em 2026 com a promessa entalada, mas a repetiu no dia 23 de janeiro, anunciando o “pacotão” de obras de asfalto e drenagem em 40 bairros, com investimentos de R$ 544 milhões.

No entanto, o hábito de não cumprir suas promessas – muitas delas por serem mirabolantes – transformou Adriane numa das personalidades políticas mais desacreditadas na história local.

O abandono em que está o município é retrato implacável da realidade. A cada chuva, acumulam-se os transtornos, que vão desde o alagamento de casas e árvores caídas ao transbordamento de córregos, passando por veículos atolados, ruas e estradas interditadas e chegam às buraqueiras e acidentes com vítimas humanas e danos materiais.

Debaixo d’água: As avenidas Guaicurus e José Nogueira Vieira, além da Rua Teodomiro Serra, entre outras regiões afetadas.

Prejuízos
A falta de planejamento e o relaxismo causam sérios financeiros e pessoais, afetando serviços básicos como o atendimento na saúde, o transporte coletivo, a frequência escolar e o giro dos inúmeros setores da economia.

Escolas e postos de saúde tem o funcionamento interrompido por alagamentos, que deterioram ainda mais as vias públicas, aumentam a quantidade das crateras, causam acidentes – até com registro de mortes – e impedem o transporte de doentes porque ambulâncias ficam atoladas nos bairros desassistidos pela prefeitura.

Só neste mês de fevereiro, as chuvas que caíram sobre uma cidade fragilizada pela precariedade da malha urbana e desprovida de estruturas eficazes de prevenção, escoamento e contenção produziram dramas em todas as regiões urbanas e rurais.

Além da mídia convencional, as redes sociais também serviram para captar e publicar diversas cenas da triste e vergonhosa situação dos campo-grandenses.

Caminhão de lixo atolado em uma rua do Jardim Itamaracá. (Foto: Reprodução)

Na segunda-feira (23/02), um caminhão de coleta de lixo ficou atolado na Rua Tarô Nakazato, Jardim Itamaracá.

Antes, na quinta-feira (19/02), em apenas 40 minutos as ruas ficaram alagadas em diversos bairros e um dos pontos afetados foi a região da rotatória da Coca-Cola, com enxurrada e o trânsito parou.

Ainda no dia 19, a enxurrada transformou a Rua Frutuoso Barbosa, na Vila Seminário, em um rio, impedindo a circulação normal de pessoas e veículos.

Na sexta-feira (20/02), na Avenida Gunter Hans, Coophavila II, o acúmulo de água próximo ao atacadista Assaí fechou o trânsito, com veículos danificados e ilhados.

A buraqueira é outra praga que ataca a população, sobretudo em áreas estratégicas, como a Rua Nove de Julho. É uma importante via de acesso ao Hospital Universitário (HU) e abriga a Escola Municipal de Educação Infantil Ipiranga, palco de acidentes causados pelos buracos.

Ambulâncias que atolam, árvores que caem sobre carros e casas, córregos que transbordam (entre eles o Lago do Amor) e o lixo que se esparrama completam o cenário desolador da cidade gerida pela pior de todas as 26 prefeitas de capitais brasileiras.

Calça a bota e vem: No Loteamento Agadinha, no Jardim Noroeste, a chuva deixou os moradores presos no meio da água. A região também não possui pavimentação, o que transforma as ruas em piscinas de lama.

Negligência
Se é criticada por abandonar os bairros, a prefeita também sofre a desaprovação dos moradores da área rural.

Um dos lugares mais castigados pela ausência do poder público municipal é a região do Rincão, no distrito de Rochedinho.

A estrada de terra que dá acesso aos assentamentos rurais ficou tomada por crateras geradas pelas enxurradas, tornando-se praticamente intransitável.

Há um trecho estratégico de trânsito humano e escoamento, com cerca de sete quilômetros, utilizado por aproximadamente 130 famílias de pequenos produtores dos assentamentos Vale do Sol, Beleza Pura, Beleza Joia e Só Alegria.

Com buracos profundos e atoleiros, na chuva a estrada fica tão alagada e intransitável que obriga os sitiantes a passarem por propriedades particulares, quando autorizados.

Avenida Gunter Hans ficou completamente alagada, após a chuva da tarde desta sexta-feira (20), em Campo Grande. Veículos boiando e ilhados marcaram o cenário na via.

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