
Albertino Ribeiro – Quem responde afirmativamente a esta pergunta, no mínimo, tem preguiça de pensar, pois não lê nada e não procura se informar sobre a realidade que o cerca.
Durante a semana, de manhã bem cedo, os ônibus estão lotados em qualquer lugar do país onde existe transporte público. Muitos trabalhadores levam mais de duas horas para chegar ao trabalho, alguns muito pobres não conseguem fazer uma boa refeição pela manhã e, mesmo assim, trabalham com disposição, produzindo bens e serviços para o nosso país.
O trabalhador brasileiro não e menos produtivo que um trabalhador europeu ou americano, por exemplo. Quando os indicadores de produtividade que comparam o desempenho entre as economias mundiais mostram que a nossa produtividade é menor, não significa que os brasileiros são ineficientes ou mais lentos do que os demais. Trata-se do valor adicionado dividido pelas horas trabalhadas, que nada mais do que a diferença entre a receita liquida das empresas e o custo dos insumos.
Países que possuem uma estrutura produtiva mais sofisticada tem um faturamento maior. Isso significa que possuem um valor adicionado maior e, consequentemente, este valor adicionado pesará no cálculo da produtividade.
A estrutura produtiva da economia brasileira não é sofisticada o suficiente para permitir que o cálculo da produtividade por trabalhador seja alto. No Brasil prevalecem na estrutura produtiva empresas com baixo investimento em capital.
Diante da proposta do fim da escala 6X1, veio à tona o debate sobre a produtividade do trabalhador brasileiro. Alguns afirmam que a maioria deseja a redução das horas porque são preguiçosos. Nada mais longe da realidade!
No entanto, para que os cálculos de produtividade do Brasil aumentem, o país precisa se industrializar e produzir bens com mais valor adicionado. Enquanto a nossa economia depender do desempenho da agropecuária e do setor de serviços de baixa complexidade, a nossa produtividade média continuará sendo mais baixa do que os países mais desenvolvidos.
Por fim, a resposta e um sonoro NÃO. O trabalhador brasileiro não é preguiçoso.