
O projeto batizado de “Centro em Ação” foi lançado com pompa pela prefeita Adriane Lopes. Mas segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas, trata-se de mais uma vitrine sem conteúdo, um pacote vistoso no papel que pouco ou nada faz para resgatar a agonia do comércio central. O problema é simples de entender e complexo de ignorar. Sem estacionamento, sem limpeza e sem medidas práticas, as lojas definham a olhos vistos.
Enquanto a propaganda mostra Adriane ao lado do marido deputado Lídio Lopes cercada de empresários e servidores, a realidade mostra que o gasto médio dos consumidores despencou quase 68% em apenas três anos. Não há fórmula mágica para isso, apenas a soma da omissão da Prefeitura e da incapacidade de oferecer soluções mínimas para o centro da cidade.
O anúncio de uma ronda da Guarda Municipal como novidade é quase cômico. Segurança no centro não é ação extraordinária, é obrigação diária. O relançamento da reforma do antigo Hotel Campo Grande, iniciado no ano passado, virou figurinha repetida de marketing. E a obra privada do hospital Hapvida foi carimbada pela prefeita como parte de sua lista de realizações, ainda que seja um investimento que independe do poder municipal.
Para a CDL, falta planejamento sólido e sobra discurso. O presidente Adelaido Vila Figueiredo resumiu bem a situação ao pedir projetos que façam sentido de verdade. Até agora, o que se vê é um jogo de cena que tenta maquiar o fracasso administrativo e enganar quem caminha pelas ruas cada vez mais vazias e sujas.
Os consumidores também não poupam críticas. Quem se arrisca a parar na Rua 14 de Julho, mesmo por poucos minutos, recebe como recompensa uma multa. É a matemática perfeita para arrebentar com o centro. Menos vagas, menos clientes, menos vendas. Uma equação que a Prefeitura parece não querer resolver.
O estacionamento rotativo, promessa recorrente desde o início da gestão, virou uma lenda urbana. Em quase quatro anos, Adriane não conseguiu nem lançar o edital para retomar o parquímetro. Mais de 800 vagas sumiram com a suspensão do serviço em 2022 e, desde então, o comércio sangra em silêncio.
A CDL aponta a consequência direta desse descaso. O ticket médio caiu de R$ 152 para R$ 49. O centro deixou de ser polo de compras e virou cenário de abandono, enquanto a prefeitura finge surpresa diante dos números. Para o lojista, a conta é clara. Se não há onde estacionar, não há cliente. Se não há cliente, não há venda.
Como se não bastasse, até os serviços mais básicos se perderam na gestão Adriane. Falta varrição, falta coleta adequada, falta limpeza. A Capital que já foi chamada de cidade limpa hoje carrega ruas sujas e comércio agonizante.
O estilo da prefeita é empilhar anúncios, mas falha em entregar soluções. Segue em campanha permanente, mas deixa para trás a realidade que se impõe. O centro está morrendo diante dos olhos da população, que já não se impressiona com eventos oficiais e discursos encenados.
No fim, “Centro em Ação” virou mais um slogan. O centro, de fato, segue sem ação. E a cada dia perde vida, clientes e identidade, enquanto a Prefeitura de Campo Grande insiste em vender uma imagem que só existe na propaganda.