
A Câmara Municipal discutiu a falta de medicamentos na rede pública e o roteiro foi de constrangimento público. A vereadora Luiza Ribeiro informou que faltam 63 tipos de remédios nos postos de saúde e a crise do Farmácia Popular completa o quadro. A manchete é simples e dolorida, a cidade adoece enquanto a gestão receita promessa.
As Mães Atípicas relataram o óbvio que ninguém deveria aceitar, dificuldade para retirar medicamentos e fraldas para crianças com deficiência. O superintendente do Ministério da Saúde no Estado explicou que há recursos federais, estaduais e municipais em um fundo para custear os fármacos. O dinheiro existe, mas o remédio não aparece.
Nos CAPS o retrato é de vitrine vazia. De 23 medicamentos que deveriam estar disponíveis, 11 estão em falta. Nas UPAs a lista ausente soma 52 itens. A porta de entrada virou sala de espera sem previsão de alta.
O presidente do Conselho de Saúde não dourou a pílula. Jader Vasconcelos disse que o problema é crônico, que há pelo menos dois anos a situação oscila entre péssima e calamitosa, e que quem sofre é o paciente que chega à ponta e não consegue a medicação. Quando a régua da avaliação varia entre ruim e pior, o diagnóstico de gestão vem sem receituário.
Ronaldo Costa falou em necessidade de boa gestão e organização municipal. Lembrou que Campo Grande ainda tem quase R$ 1,6 bilhão para aplicar em saúde. É a aritmética que humilha, muito recurso anunciado, pouco medicamento entregue.
A técnica Silvia Uehara trouxe números que desmontam discursos. O orçamento previsto de R$ 13 milhões caiu para R$ 9,5 milhões, apenas R$ 3,5 milhões foram empenhados, R$ 1,8 milhão foi liquidado e cerca de R$ 280 mil foram pagos. É muito pouco, disse ela, enquanto Estado e União aumentam repasses para insumos.
O integrante do Comitê de Saúde, André Brandão, reconheceu dificuldades e disse que os processos licitatórios que não existiam agora andam. O comitê pontuou problemas e começou o próximo passo. O paciente curioso pergunta onde está o passo anterior.
André Brandão informou que houve dispêndio de R$ 23 milhões em medicamentos neste ano. Em seguida, apontou a distorção de um milhão e meio de registros do Cartão SUS para uma cidade de 900 mil habitantes. A matemática criativa não cura estoque vazio.
As Mães Atípicas, pela voz de Lilidaiane Ricalde, lembraram que fralda é item de uso diário. O programa previa 120 unidades por mês, mas muita gente retira 18 a cada 10 dias e, quando chega, vem de pior qualidade. A esperança foi prometida na eleição passada, a briga continua desde janeiro.
A vereadora concluiu que a falta de medicamentos agrava a saúde do paciente e piora o atendimento como um todo. Falou em problema sério de aplicação de
recursos na assistência farmacêutica. A audiência revelou o que a população sente na pele, quando a política falha, a receita some, a fila cresce e a ironia vira único analgésico disponível.