Sem projetos para minimizar danos, Adriane culpa El Niño enquanto cidade sofre com buracos e alagamentos

Quem chegou em segurança em casa na quinta-feira (15) a noite, teve sorte. Campo Grande ficou embaixo d’agua, com alagamentos graves da área nobre à periferia, fora carro que afundou no asfalto e muitos que tiveram pneus furados em meio ao temporal. A prefeita Adriane Lopes (PP) não apareceu em público para dizer uma única palavra até agora, como se realmente o problema não fosse dela.

A única manifestação publica da prefeitura foi uma notícia culpando o fenômeno El Niño sobre os alagamentos e dizendo que equipes estavam nas ruas. Enquanto isso, a população enfrentava alagamento na Via Parque e entorno do Parque das Nações Indígenas, avenida Rachid Neder, Avenida Ernesto Geisel, avenida Calógeras, região do Lago do Amor, avenida Gunter Hans e nos bairros.

No Los Angeles, crianças usaram uma caixa d’agua para passar por ruas alagadas, na Comunidade Cidade dos Anjos famílias tiveram as casas invadidas pela enxurrada e perderam o pouco que tinham. Por toda a cidade, o campo-grandense teve prejuízos e até agora, Adriane Lopes não deu as caras. Nem para distribuir lonas nas comunidades, nem para fazer um balanço dos estragos.

Há sete meses, Campo Grande sediou a 15ª Conferência das Partes (COP15), que debateu amplamente as mudanças climáticas e a chegada de um super El Niño, mas medidas não foram tomadas para mitigar os impactos. Há quatro anos a frente da prefeitura, Adriane realizou uma única obra de contenção das chuvas, na avenida Ernesto Geisel, que ainda nem foi inaugurada.

O vereador Jean Ferreira (PT), esteve no Lago do Amor em meio a inundação e lembrou de obra de R$ 3,8 milhões da prefeita em 2024, que não durou nem um ano. Por lá, os alagamentos continuam, bem como o desmoronamento de parte da calçada da avenida Filinto Muller. “Falta de planejamento e infraestrutura comprometida com o Meio Ambiente”, disse o vereador.

A advogada e pós Doutora em Meio Ambiente, Giselle Marques, afirma que Campo Grande não se preparou para os alagamentos. “Faltam obras de infraestrutura, limpeza urbana nos bairros de periferia e descompromisso com conceitos contemporâneos para o planejamento urbano. Campo Grande está na contramão, se omitindo em relação ao desmatamento do Parque dos Poderes e colaborando com a verticalização no entorno desse que é um verdadeiro monumento da história e da cultura do nosso estado”.

Há um mês, Campo Grande foi atingida por um vendaval que deixou série de estragos e que de novo, a população não pode se proteger, já que a Defesa Civil falhou e não emitiu alerta. No dia seguinte, decretou emergência e pediu ajuda ao governo federal, alegando prejuízo estimado em R$ 40 milhões.

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