
A decisão da Prefeitura de Campo Grande de ampliar a fiscalização eletrônica com a instalação de novos radares em importantes corredores da cidade provocou um debate que vai muito além do trânsito. Motoristas que convivem diariamente com buracos, remendos no asfalto e problemas sérios de infraestrutura se perguntam se a prioridade está no aumento da fiscalização ou na urgente melhoria das condições das vias.
A previsão de implantação de 27 faixas de monitoramento em avenidas movimentadas como Bandeirantes, Brilhante, Afonso Pena e Rua João Arinos representa uma expansão significativa da fiscalização eletrônica. Segundo a Agetran, o objetivo é reduzir acidentes e preservar vidas.
Não há dúvida de que a segurança viária deve ser uma prioridade. Os registros de acidentes graves em algumas dessas vias demonstram a necessidade de medidas preventivas e de controle da velocidade. Sem dúvida, esse é um argumento legítimo e respaldado.
Mas, ao mesmo tempo, a ampliação dos radares também desperta questionamentos por parte dos motoristas. Condutores defendem que a fiscalização precisa vir acompanhada de investimentos equivalentes em sinalização, manutenção viária e recuperação do pavimento.
A verdade é de que o cidadão continua enfrentando dificuldades para trafegar por ruas e avenidas deterioradas. Em diversos bairros, buracos, remendos e falhas no asfalto seguem sendo alvo constante de reclamações.
Nesse contexto, surge uma cobrança compreensível. Se a administração pública exige o cumprimento rigoroso das regras de trânsito, também deve garantir que a infraestrutura oferecida aos condutores esteja em condições adequadas.
Outro aspecto importante, e que merece destaque, envolve a questão da transparência. A população tem o direito de acompanhar os critérios técnicos utilizados para definir a localização dos equipamentos e os resultados efetivamente alcançados após sua instalação.
Indicadores sobre redução de acidentes, diminuição de atropelamentos e melhoria da segurança viária deveriam ser amplamente divulgados. Quanto mais transparentes forem os dados, menor será o espaço para alimentar a desconfiança de que está sendo implantada em Campo Grande a indústria da multa.
A fiscalização eletrônica tende a ser melhor aceita quando seus benefícios são claramente demonstrados à sociedade. Quando os motoristas percebem melhora efetiva na segurança, o debate deixa de girar em torno das multas e passa a focar na proteção da vida.
A cidade precisa de trânsito seguro, mas também precisa de ruas em boas condições. O cidadão espera não apenas fiscalização e multas, mas uma infraestrutura compatível com os impostos que paga. Afinal, segurança e qualidade viária não deveriam ser prioridades concorrentes, mas objetivos que caminham lado a lado.