Adriane vê o cerco se fechar com operação da Polícia Federal

Adriane Lopes: investigação rastreia indícios que justificaram a Operação Suffragium. (Foto: Redes Sociais).

Na última sexta-feira (19/06), a Polícia Federal cumpriu sete mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Taquarussu. Era a Operação Sufragium, que investiga denúncia de compra de votos no segundo turno da campanha em que foi reeleita a prefeita Adriane Lopes (PP). Ela não consta dos alvos da operação, mas o cerco se fecha ao seu redor. Os federais investigam cabos eleitorais e empresas que participaram da campanha.

Os investigadores apontam indícios, como as movimentações bancárias incompatíveis com os ganhos declarados de alguns suspeitos, sobretudo nos dias que antecederam ao primeiro e ao segundo turnos. Conforme a PF, o grupo atuava numa estrutura de movimentação com organograma em formato de pirâmide e realizava a compra de votos de forma sistemática.

Os indícios levantados pelos agentes são eloquentes. Apontam, por exemplo, que havia quatro núcleos centrais na dinâmica de funcionamento do pessoal envolvido no esquema: o comando político (topo da pirâmide), a coordenação institucional e financeira, a intermediação operacional e os eleitores (a base da pirâmide).

Supeitas recolocadas

Adriane se sustenta agarrada às decisões dos juízes de Mato Grosso do Sul e de um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), ambas favoráveis a ela. Ela reforça sua defesa dizendo que as diligências (feitas até agora) não envolvem órgãos da prefeitura. Entretanto, a operação da PF recoloca as suspeitas de fraude eleitoral no centro das atenções, agora com alguns ingredientes que reforçam a denúncia.

Um dos principais alvos da PF é Simone Bastos Vieira, que nas eleições era assessora do gabinete de Adriane. Ela foi a responsável por um PIX de R$ 1,2 mil pagos a um líder comunitário supostamente para fazer a compra de votos. Simone deixou Campo Grande e mudou-se para a cidade de Taquarussu, onde foi nomeada diretora do Departamento de Estratégia de Saúde da Família pelo prefeito Clóvis do Banco.

A vitória foi apertada: a prefeita se reelegeu com 222.699 votos, contra 210112 de Rose Modesto (União Brasil). Adriane Lopes e sua vice, Camila Nascimento, foram denunciadas pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista) e PSDC (Partido Social Democrata Cristão) logo após a proclamação dos resultados. A ação pediu a cassação dos diplomas de prefeita e vice, contudo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) julgou o recurso improcedente.

Um recurso especial foi então acionado pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), insistindo na cassação dos mandatos e na inelegibilidade das denunciadas, citando, inclusive, que o próprio tribunal havia admitido a força dos indícios que sustentaram a acusação. Mas o TR E, por maioria de votos, manteve a sentença de primeira instância e indeferiu a demanda, julgando-a improcedente.

Máquina e mentiras

Além da acusação de fraude, a prefeita não economizou no uso da máquina da prefeitura para dar visibilidade à sua campanha, reforçando-a com falaciosas promessas. Prometeu, entre outras coisas, a construção de um Hospital Municipal, a entrega em domicílio de remédios da farmácia básica, conclusão de todas as obras inacabadas e a repaginação visual da cidade. Nenhuma das promessas fundamentais foi cumprida em ano e meio de mandato.

São caóticos os serviços de saúde, limpeza, transporte e manutenção. A cidade está tomada pela buraqueira. Há “rombo” nas finanças e a gestão envolvida em casos de abuso sexual (que já exultaram na queda de dois assessores de primeiro escalão), além de denúncias de desvio de recursos na saúde. Na ânsia de fugir das responsabilidades, Adriane tenta privatizar serviços públicos, porém já está encontrando resistências até dentro de sua base de sustentação na Câmara de Vereadores.

Compartilhe
Notícias Relacionadas
© 2024 O Consumidor News
Desenvolvido por André Garcia - www.conffi.com.br