
Prefeita Adriane Lopes ainda é muito lembrada pelo título de pior prefeita de todas as capitais brasileiras.
Decretada intervenção na Prefeitura de Campo Grande. Não é 1º de abril, nem piada ou trolagem, mas simplesmente um comentário que começou a rolar desde quando veio a informação oficial sobre o decreto da prefeita Adriane Lopes (PP), determinando intervenção temporária no Consórcio Guaicurus, concessionária do serviço de transporte coletivo da Capital.
Com prazo de 180 dias (vai até dezembro), a drástica medida foi recebida com sentimentos variados, principalmente alívio, descrédito e ceticismo, mas com alguma esperança.
Esse descrédito é natural e surge diante de questionamentos dos mais simples: se a prefeita não cuida como deveria da saúde, do ensino, das finanças, da manutenção da cidade, da transparência e da defesa do interesse público, como é que vai cuidar do transporte coletivo?
Se em nove anos – está no poder desde 2017 – ela não conseguiu sequer tapar os buracos da região onde mora, como vai resolver os atrasos, superlotação, frota envelhecida, altas tarifas, ônibus sem acessibilidade 100%, falta de pontos suficientes?
Além do prazo de validade vencido, muitos ônibus quebram por causa da buraqueira que a prefeita não consegue tapar, primeiro porque deu o calote nas empreiteiras e em segundo lugar porque não tem apreço pela cidade que prometeu ter a melhor gestão de todos os tempos.
Faz o contrário: sua gestão é a pior de todas as capitais brasileiras, de acordo com pesquisas de opinião pública e indicadores de desempenho. Não é por acaso a falta de credibilidade, que cresce a cada dia.

Privataria
A intervenção no transporte público está calçada por um relatório técnico de uma Comissão Especial do município e em uma determinação da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande.
A decisão verificou o descumprimento de cláusulas do contrato de concessão, constatando graves irregularidades como a frota insuficiente, vencida e sucateada, reprovação em inspeções técnicas (com riscos à segurança dos usuários), falhas sistemáticas e descumprimento de horários nas linhas. Incapaz de resolver os problemas sob a sua responsabilidade, a prefeita tenta lavar as mãos e empurrar os “abacaxis” para que terceiros os descasquem.
Uma dessas tentativas, por enquanto frustrada, seria a terceirização. Ela tenta tirar do poder público e entregar às Organizações Sociais (OSs) – uma espécie de privatização – os serviços institucionalmente de responsabilidade da prefeitura, como os de saúde e educação. Só falta incluir neste “pacote” a infraestrutura.
Sob forte pressão popular, a Câmara Municipal, por maioria, rejeitou a proposta da prefeita de iniciar em duas unidades a terceirização da saúde. Mas ela estaria também abrindo brechas para terceirizar a educação, por meio de um vereador que apoia este tipo de processo privatizante.
O Ministério Público (MPMS) investiga a crise na saúde, apontando entre os focos a dívida milionária com fornecedores de remédios, a escassez crônica de insumos e profissionais nas unidades, frota de viaturas e equipamentos de emergência insuficiente, filas intermináveis e até falta de remédios.

Assim como atrasou os repasses devidos pela prefeitura para o Consórcio Guaicurus, Adriane também negligenciou no pagamento de sua parte à Santa Casa e aplicou calote nos fornecedores da saúde. E para afundar ainda mais sua performance no setor, ela responde a um procedimento do MPMS sobre a destinação que deu a mais de R$ 156 milhões que deveriam ser aplicados pelo Fundo Municipal de Saúde.

Buracos
Em abril passado a prefeitura divulgou que desde janeiro já havia tapado quase 100 mil buracos nas sete regiões urbanas.
Junho passou da metade e a enorme quantidade de buracos segue infernizando a vida das pessoas e as condições de carros, bicicletas, motos e ônibus. E a culpada não é a chuva, que quando cai agrava uma situação já existente há muito tempo.
Uma das causas, além da falta de atenção à cidade, está atribuída a esquemas de medições fraudadas em contratos de tapa-buracos, que estão denunciados e investigados pelo MPMS, no âmbito de investigações da Operação “Buraco Sem Fim”. Algumas empreiteiras encarregadas desse trabalho chegaram a paralisar as máquinas em protesto contra o atraso no pagamento dos contratos.
Aumento salarial
A esdrúxula ideia de privatização do ensino público passou a ser alimentada quando a prefeita apareceu com o projeto de terceirização da saúde. A resistência às duas barbaridades ainda impera e não as deixa avançar, porém não se sabe até quando. O pior é que Adriane sempre inventa um factóide para desviar a atenção.
Um dos mais recentes foi o anúncio de aumento salarial aos servidores, ilustrado pelo discurso de que a prefeitura campo-grandense paga aos professores o melhor salário entre todos os municípios brasileiros.
A mentira de Adriane Lopes não durou uma passagem da noite para o dia. A Federação dos Trabalhadores em Educação (Fetems), o vereador e ex-prefeito Marquinhos Trad (PDT) e o deputado estadual Pedrossian Neto (Republicanos) desmentiram a prefeita categoricamente.
Bastou o relatório oficial publicado pela Fetems para derrubar a falsa informação da prefeita. O salário pago aos professores campo-grandenses não é o maior dos 5.569 municípios do País e muito menos do próprio Estado.
O maior salário pago a professores com nível médio e jornada de 40 horas no estado é do Governo de Mato Grosso do Sul, com R$ 8.671,41.
Campo Grande está no 10º lugar, abaixo de Sidrolândia (com R$ 7.509,38), Três Lagoas ( R$ 7.444,43), Água Clara (R$ 6.602,56), Angélica (R$ 6.105,74), Corumbá (R$ 6.092,24), Tacuru (R$ 6.089,28), Sonora (R$ 6.089,28) e Ribas do Rio Pardo (R$ 6.035,31).