
Nos últimos meses, a Prefeitura de Campo Grande tem promovido uma série de mudanças no setor de Tecnologia da Informação que, ao invés de modernizar a administração pública, parecem ter um objetivo muito diferente: enfraquecer o setor, comprometer sua autonomia e abrir brechas para ingerências políticas.
Conforme denúncia feita ao Jornal O Consumidor News, a Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação (Agetec), que até então tinha papel estratégico na digitalização e segurança dos dados municipais, foi subjugada a uma pasta não técnica, perdendo independência e autonomia. Como resultado, contratos e licitações de tecnologia passaram a ser geridos por setores que não possuem conhecimento técnico adequado, colocando em risco a qualidade das contratações e a eficiência dos serviços públicos.
O reflexo imediato dessas mudanças foi a redução drástica da remuneração de servidores técnicos, desmotivando profissionais qualificados e tornando a Prefeitura de Campo Grande um terreno fértil para a evasão de talentos para o setor privado. Enquanto isso, cargos técnicos passaram a ser ocupados por pessoas sem a qualificação necessária, comprometendo o funcionamento de sistemas essenciais.
Outro fator alarmante é a interferência política nas prioridades da TI municipal. Em vez de focar no aprimoramento dos serviços digitais para a população, os esforços da área foram direcionados para atender à campanha eleitoral da prefeita Adriane Lopes. Relatos indicam que dados públicos podem ter sido usados para rastreamento eleitoral e monitoramento de servidores que não aderiram à campanha governista.
As denúncias não param por aí. Há indícios de alteração de bases de dados públicas para viabilizar contratações duvidosas, exclusão de pareceres técnicos que inviabilizariam contratos e, talvez o mais grave, possível permissão de acesso remoto a sistemas críticos, como informações sensíveis da saúde pública, para empresas sem qualquer contrato formal com a Prefeitura.
Além disso, há registros de que fornecedores essenciais da área de tecnologia estão com pagamentos atrasados há mais de três meses, enquanto contratos fundamentais, como a redundância no fornecimento de internet, foram rescindidos de forma irresponsável. Tal prática, além de prejudicar serviços públicos essenciais, pode ser uma estratégia para justificar contratações emergenciais sem licitação.
E se tudo isso ainda não fosse suficiente, empresários e prestadores de serviço relatam que sofreram pressões indevidas para contribuir financeiramente com a campanha eleitoral, sob ameaça de não renovação de contratos vigentes. A tecnologia, que deveria ser um pilar da eficiência administrativa, foi reduzida a um instrumento de manipulação política e barganha financeira.
O que antes era uma agência técnica respeitada, voltada à inovação e à modernização da administração pública, agora se tornou refém de interesses políticos e ingerências sem qualquer critério técnico. Mas, enfim… Quem
realmente ganha com o enfraquecimento da transparência e da segurança digital na Prefeitura de Campo Grande? A resposta todo mundo sabe!